segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

MISSÃO


viver  foi a missão que recebi
quando nasci

nenhuma dúvida resta
não há pausa
avanço 
como determina o destino


Rio, fevereiro de 2013



sábado, 2 de fevereiro de 2013

MATEMÁTICA


o calendário é de tal forma impiedoso
que esgota a cada vinte e quatro horas
um dia
e não perdoa trinta ou trinta e um deles
para derrotar em fevereiro vinte e oito

no rio de janeiro é já fevereiro 
duas vezes vinte e quatro horas
que posso esperar de dois mil e treze
se não me restam que vinte e seis dias
neste mês do carnaval

e os matemáticos não voltaram às aulas

Rio, fevereiro de 2013 



domingo, 27 de janeiro de 2013

SOULAGEMENT



o que não faz sentido
só o tem no sofrimento
do consolo
intimamente


é necessário sentir
o pequeno que há em cada um
e a Vontade maior 
que foge de nossas mãos

o sentido do sem sentido
inobservado
recolhe-nos ao nada
que somos

o presente em pouco será passado
eterno em nós
assediados


Rio, 27 de janeiro de 2013

ILUSÃO DE ÓTICA

ainda nem cheguei ao lugar onde estou
e sinto que já vou embora
vejo um pássaro sobre os ramos
e já não o vejo mais
tempo descoordenado
ilusão de ótica
talvez seja o vento

Rio, janeiro de 2013



ELOS

os tempos paralelos não são elos
são paralelos
João vive um tempo
que não é o de José
e nem mesmo Maria
sua mulher
goza o mesmo momento

o cruzamento de tempos
serão coincidências
em um milhar de mil anos
mas José já não vive
João morreu no século passado
de Maria nem sombra

tiveram juntos seu tempo
mas ninguém notou
e o tempo passou 

Rio, janeiro de 2013



REALISMO



o outono já se foi
o cenário mudou
mas o homem é o mesmo
que esperou na fila
o prêmio da loteria

não é preciso muito
nem mesmo paciência
ou qualquer traço de consciência
para entender que o infinito nunca termina
é o momento que cessa

Rio, janeiro de 2013









sábado, 26 de janeiro de 2013

VIDA SIDERAL


és azul 
como azul é o céu que nos abraça
Terra
vives mares e ventos 
contra a noite sideral

grão na areia das galaxias
entro por teus olhos e vejo
tudo quanto fora vida
como a floresta em seu leito úmido de sombras
seres e coisas
pedras
em sinal de reconhecimento
de todos os caminhos

corpo de muitos calores
amor e vida
dores

culpa de sentir-te modulada pela esperança
de mil e mil anos
e nós todos insensíveis
mascarados de infalíveis
  
Rio, janeiro de 2013