"Porém, pera cantar de vosso gesto a composição alta e milagrosa, aqui falta saber, engenho e arte." Luís de Camões ... assim encontrareis aqui palavras magoadas a tornar o fogo frio e dar descanso a minha alma condenada ...
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
PAZ
revendo o presente reconheci o passado
de revolta diante da incompetência
à margem de Cronos carregando as lembranças
da ilusória Paz que por isso não reina
um após outro mísseis a atingir foguetes
em sua viagem dolorida pelo espaço da destruição
do que podia ser diferente
se qualquer dos lados assumisse a racionalidade
e a dois revissem a iníqua realidade
a iniquidade está na razão humana a serviço do irracional
raciocínio de que o ataque é instrumento de defesa
será não combatendo homens que homens
soerguerão o Olimpo de seus deuses
a reconhecer sua identidade
Paz não é a torre de marfim de homens superiores
mas a liberdade entre iguais
é tempo de aprender como fazer vencer a vida
Rio, agosto de 2014
terça-feira, 5 de agosto de 2014
PALAVRAS
palavras são tão poucas
a sete chaves erram
em sete montes
no eco transtornadas loucas
tão aparentes tão presentes
progresso por vezes retrocesso
pairam no ar sem viração
ou vento que sopre o coração
ausentes palavras dos deuses vozes
tão breves a vida não descrevem
tão densas tão áridas esfinges
quantas dormem finges
a mesma vida e o destino
para entender pouco
e gritar rouco
o humano desatino
Rio, agosto de 2014.
quarta-feira, 30 de julho de 2014
EU COMIGO
fechado a sete chaves pensando de mim para comigo
vivo...
entre os que choram há cantos
entre os que cantam tristezas
alegrias do poder sentir e amar
o que os deuses deram
à minha estreita faixa de visão
são vozes que me chamam
mas é tão pouco...
anos que não pedi sobrevivem aos que desejei
a que foi mesclada a fantasia do que não vivi
e o coração que sobrepuja a razão escuta e sofre
da alegria de estar aqui
ainda...
esse é meu pátio de milagres
a que olho com olhos razos
feitos puros da beleza
do que vejo
há vida...
tão breve o tempo
tão não sentido
o que resta é quase hoje
nada...
Rio, julho de 2014
sábado, 26 de julho de 2014
SEM MAIS
nunca maior nem menor
o homem sobrevive mal a seus desatinos
competindo com os deuses
mata-se cumprindo seu destino
um após outro anos após anos
não lhe bastam os males corporais
insistem conscientes
em seus males morais
pouco importa o outro homem
mulheres ou crianças pouco importam também
na diversidade todos iguais
a ressaca arde ao fogo do ódio
sobrepõe-se à Paz implorada
matam-se sem mais
Rio, julho de 2014.
quinta-feira, 24 de julho de 2014
TANTA VIDA (complemento)
[complemento de um poemeto de janeiro de 2010
- "TANTA VIDA"]
...tanta vida fugindo de meus olhos
tantos olhos postos em mim
nem tantos olhos nem tanta vida
contam o que sei assim
Rio, julho de 2014.
domingo, 6 de julho de 2014
SAUDADE
o tempo circunstancia
o espaço distancia
a saudade que é sombra da verdade que se fez
a realidade segue o real que a imaginação tangencia
no coração os deuses continuam presentes
na expiação do pecado
capital
de não haver juntado espaço e tempo
sofre ao Sol perde a Lua
idólatra do passsado
a saudade só
múltiplo de si mesmo
Rio, 06 de julho de 2014
terça-feira, 10 de junho de 2014
SER
não é difícil entender laços
afetos em plena liberdade
mais difícil é compreender o tempo
ou o sonho um a cada vez
viver não é segredo quando se passa à ação
e se permitem os laços entre sonhos e ambições
e tudo mais que os humanos anseiam
no jogo de jogar a própria vida
é sempre tempo de começar
sem o constrangimento das situações
de pedras que se alevantam no caminho
basta a liberdade de ser e o direito de sonhar
basta o entendimento de que somos mortais
basta fazer do tempo uma incógnita a favor
viver não é segredo quando se tem a coragem de ser
Rio, junho de 2014
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