terça-feira, 2 de dezembro de 2014

A VIDA




se ontem nada dizia
e hoje nada tenho a dizer
reflito
a vida é só um momento
em que pensar não é ser feliz

Rio, 2 de dezembro de 2014




segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

SETENTA E QUATRO




não é o dia que corre
nem o dia que vem
é vida aos setenta e quatro 
impaciente comigo
por nada ter a dizer

Rio, primeiro de dezembro de 2014

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

PAZ



revendo o presente reconheci o passado
de revolta diante da incompetência
à margem de Cronos carregando as lembranças
da ilusória Paz que por isso não reina 

um após outro mísseis a atingir foguetes
em sua viagem dolorida pelo espaço da destruição
do que podia ser diferente
se qualquer dos lados assumisse a racionalidade
e a dois revissem a iníqua realidade

a iniquidade está na razão humana a serviço do irracional
raciocínio de que o ataque é instrumento de defesa

será não combatendo homens que homens
soerguerão o Olimpo de seus deuses
a reconhecer sua identidade

Paz não é a torre de marfim de homens superiores
mas a liberdade entre iguais
é tempo de aprender como fazer vencer a vida

Rio, agosto de 2014

terça-feira, 5 de agosto de 2014

PALAVRAS



palavras são tão poucas
a sete chaves erram
em sete montes
no eco transtornadas loucas
tão aparentes tão presentes
progresso por vezes retrocesso
pairam no ar sem viração
ou vento que sopre o coração
ausentes palavras dos deuses vozes
tão breves a vida não descrevem
tão densas tão áridas esfinges
quantas dormem finges
a mesma vida e o destino
para entender pouco
e gritar rouco
o humano desatino 

Rio, agosto de 2014.




quarta-feira, 30 de julho de 2014

EU COMIGO



fechado a sete chaves pensando de mim para comigo

vivo...

entre os que choram há cantos
entre os que cantam tristezas 
alegrias do poder sentir e amar 
o que os deuses deram
à minha estreita faixa de visão

são vozes que me chamam
mas é tão pouco...

anos que não pedi sobrevivem aos que desejei
a que foi mesclada a fantasia do que não vivi
e o coração que sobrepuja a razão escuta e sofre
da alegria de estar aqui

ainda...

esse é meu pátio de milagres
a que olho com olhos razos
feitos puros da beleza 
do que vejo

há vida... 

tão breve o tempo
tão não sentido
o que resta é quase hoje 
nada...

Rio, julho de 2014

sábado, 26 de julho de 2014

SEM MAIS




nunca maior nem menor 
o homem sobrevive mal a seus desatinos
competindo com os deuses
mata-se cumprindo seu destino

um após outro anos após anos
não lhe bastam os males corporais
insistem conscientes
em seus males morais

pouco importa o outro homem
mulheres ou crianças pouco importam também
na diversidade todos iguais 

a ressaca arde ao fogo do ódio
sobrepõe-se à Paz implorada
matam-se sem mais 

Rio, julho de 2014.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

TANTA VIDA (complemento)


[complemento de um poemeto de janeiro de 2010
 - "TANTA VIDA"]





...tanta vida fugindo de meus olhos
tantos olhos postos em mim
nem tantos olhos nem tanta vida
contam o que sei assim


Rio, julho de 2014.