sábado, 9 de abril de 2016

ESPANTO




pasmo diante do inusitado
mesmo à sombra do passado
mesmo entorpecido pelos fatos
perplexo diante do banditismo
dos traficantes do asfalto
dos assaltantes nas praias
dos governantes petistas
sem ignorar os fascistas
e alguns meritíssimos Ministros
enquanto a história
como farsa
nos espanta cada dia 

Rio, abril de 2016

sexta-feira, 8 de abril de 2016

DIA DE SOL




há dias ensolarados que nos desafiam 
ondas verdes marcam o compasso
da gente na areia branca 
na adoracão de corpos 
morenos
é preciso ser jovem para saber o que pensam
a personalidade que ostentam
na divagação ofuscante do horizonte
sentindo a existência apenas

que compreensão um poeta místico
pode buscar desse recolhimento exposto
senão o que vislumbra de uma janela aberta?
que beleza há nesse conjunto
de sol e corpos no marejar distante
em versos que fluem ao sabor do vento?  

Rio de Janeiro, abril de 2016



quinta-feira, 7 de abril de 2016

'DIVAGAÇAO





submetido à cura de ser quem sou
busco forças neste crepúsculo 
para traçar o caminho que me leva ao despenhadeiro final
assim me encontro próximo da linha derradeira
matéria viva a ser em breve vencida

não me impressiona a curta linha
sou mortal nasci assim
tampouco nutro sentimentos falsos
sobre a indesejada de tantos
amiga de diálogos francos
que não torno íntimos pelo rigor de suas sentenças
todas finais

recordo meu tempo com amor 
não dispenso dele a alegria
diante de barreiras eliminei preconceitos
para entender o mundo ao sair dele
no que foi deliciosa jornada entre lugares distantes

conheci gentes línguas estranhos costumes
enquanto a terra mudava de cores
do inverno branco à primavera florida
que me trazem à lembrança os campos da Sicília
seca e saborosa árida e aconchegante
e o mar circundante azul de gaivotas estridentes
sol a pino sobre as colunas de Agrigento
rosas esfarelando nos séculos sua grandeza

Ah deuses que não renego espero força
que me retorne às doces uvas quase passas de Thera/Santorini  
que me faça livre
à beira da cratera sempre Thera
vulcão solitário em pleno Egeu 
livre nos sonhos que entretenho
serei livre

Rio de Janeiro, abril de 2016



domingo, 3 de abril de 2016

PERPLEXIDADE




se a vida pudesse resumir-se em versos
viveria os versos 
e duas vezes entenderia as coisas
como nos versos
como na vida

nos versos a rota clara
vida no mar revolto

que é da diferença 
penas no ondular bravio
palavras obscuras no poema em versos?

mas sou um só
e de minha vida retirei os versos
que em um poema uma vez escritos
não são meus
e os dias de uma vida terão sido seus?

que me traz o pensamento
nenhum conhecimento?
talvez no fim
que já não tarda
entenderei o que foi de mim


Rio de Janeiro, abril de 2016






sábado, 12 de março de 2016

CATIVEIRO



saudoso da vida não me despeço
vivo
não vivo ontem hoje
e o futuro desconheço

tempo
é sempre o mesmo
passa

de mim mesmo sou cativo
todo o resto é o mundo
existe em tumulto
e no entanto em mim 
nunca me conhecerei

homens seres coisas
somam números fictícios
enquanto o que sou sou um
aceito isso e nada tenho
e não sou livre

Rio de Janeiro, março de 2016






EU




Penso
mas nada do que penso vale
o pensamento esgota-se em sua sede
não se revela nem se satisfaz
Escrevo
a cada palavra a única verdade
é sua impressão
que é uma em preto e branco
é outra no coração
Sinto
mas o que sinto não se projeta
ao outro a quem amo
ou a quem não amo
o sentimento finge sem fingimento
é seu

por que ir além se me posto quase sempre aquém
e sou só no que sou
sou eu

Rio de Janeiro, março de 2016



domingo, 21 de fevereiro de 2016

ESPERA





a espera é tempo que não se vive
uma espécie de sonho
esperanca que cessa

o que vemos são coisas
que denominamos
mas não sabemos ver


os poetas vivem do nada
que são os nomes

dados às coisas

a espera é como coisa que não sabemos ver
tempo que passa
sem estar a pensar

o que seria a flor sem o perfume
esse mesmo que o poeta
filosoficamente sente

palavras são só a linguagem
o poeta lhes dá perfume
mas não pensa nelas

a espera é mais uma palavra
esperança um perfume
o sonho o poema

Rio, fevereiro de 2016