"Porém, pera cantar de vosso gesto a composição alta e milagrosa, aqui falta saber, engenho e arte." Luís de Camões ... assim encontrareis aqui palavras magoadas a tornar o fogo frio e dar descanso a minha alma condenada ...
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
DESPENHADEIRO
nesse caminho há um fim
chega sem anunciar
hora ou lugar
mas no ritmo de meus passos
inda não quero chegar
o inevitável fado
não é domínio de ninguém
mas tantas coisas me prendem
nem vale a pena pensar
entretanto é só dele esse ponto
entre forças contrárias do vento
no titubeio que é meu
outro fui outro sou
e nada tenho nas mãos
nessa trilha de um caminho
que se não quis eu trilhei
como ramo que se curva ao vento
reconhecerei o momento
e não o temo
no meu delírio vital
no desolado do tempo
sou quem consciente despenha
entre cardos e poeira
inconsciente no ar
Rio de Janeiro, 22 de dezembro de 2016.
sábado, 29 de outubro de 2016
TRINTA DE OUTUBRO
https://www.youtube.com/watch?v=6z82w0l6kwE
https://www.youtube.com/watch?v=MD6xMyuZls0
https://www.youtube.com/watch?v=QUCsk7KToMM
[selecionar um de cada vez e "ir até"]
https://www.youtube.com/watch?v=QUCsk7KToMM
[selecionar um de cada vez e "ir até"]
a vida não deixa lacunas
é sonho na distância do tempo
ficção no dia-a-dia implacável da realidade
dissipa-se se o quiseres
em quadros efêmeros
mas é luz se não a perdermos
em desolados instantes passados
a casa de minha infância lá distante
ainda é eco de fantasia em "Traumerei"
Schumann reflexivo e melancólico
mas imprevisto e saltitante
na alegria pianística de Paganini-Liszt
solene sonora é a expectativa em "Hammerklavier"
Beethoven na força de ouvir o próprio gênio
mas meu coração é um pensamento feito de saudade
em sons que ouço apaixonado
em notas conhecidas da memória
de Benedicta minha mãe
no devaneio que me deu vida
sentidos e o ilimitado sonho
Rio, véspera do 30 de outubro de 2016
[www.poemasinconjuntos.com.br]
terça-feira, 25 de outubro de 2016
BROA (uma tradução)
o inexorável tempo não nos separa
a vastidão das distâncias ao contrário nos une
na imobilidade infinita
desta pedra
que nós nos somos
(eu mesmo, em "Familia" )
não
nada do acaso
a nossa vinda a Broa é testemunha
de uma viagem que não terminou
mas um cenário vigoroso construído por nós
para reviver nossa história
criação de nossos antepassados
presentes
e fizemos dias de lembrança
na trilha de um caminho a seu convite
para um invisível abraço
nunca uma ilusão
nada do acaso
a nossa vinda a Broa é testemunha
de uma viagem que não terminou
mas um cenário vigoroso construído por nós
para reviver nossa história
criação de nossos antepassados
presentes
e fizemos dias de lembrança
na trilha de um caminho a seu convite
para um invisível abraço
nunca uma ilusão
não canto sem razão
essa fábula é nossa história
um pressentimento de todos
que ouviram nossas lendas
no gotejar do tempo
essa fábula é nossa história
um pressentimento de todos
que ouviram nossas lendas
no gotejar do tempo
não sabemos o que o futuro nos reserva
ao coração e ao mundo
todavia conservamos um sentimento
memória do sol que nos aquece
não em sonhos imersos
mas no caminho real de cada vida
ao coração e ao mundo
todavia conservamos um sentimento
memória do sol que nos aquece
não em sonhos imersos
mas no caminho real de cada vida
essa Luz haverá de nos conduzir
"aonde murmure eterna a água da juventude
[...] mas uma coisa nos afiance,
pai, e será: que um pouco do teu dom
seja, e para sempre, repassado às sílabas
que em nós, abelhas zumbindo, levamos.
Longe iremos e levaremos um eco da tua voz,
assim como se recorda do sol a erva sem cor...”
[...] mas uma coisa nos afiance,
pai, e será: que um pouco do teu dom
seja, e para sempre, repassado às sílabas
que em nós, abelhas zumbindo, levamos.
Longe iremos e levaremos um eco da tua voz,
assim como se recorda do sol a erva sem cor...”
[Ossos de Sepia - Eugenio Montale]
BROA (uma tradução)
o inexorável tempo não nos separa
a vastidão das distâncias ao contrário nos une
na imobilidade infinita
desta pedra
que nós nos somos
(eu mesmo, em "Familia" )
não
nada do acaso
a nossa vinda a Broa é testemunha
de uma viagem que não terminou
mas um cenário vigoroso construído por nós
para reviver nossa história
criação de nossos antepassados
presentes
e fizemos dias de lembrança
na trilha de um caminho a seu convite
para um invisível abraço
nunca uma ilusão
nada do acaso
a nossa vinda a Broa é testemunha
de uma viagem que não terminou
mas um cenário vigoroso construído por nós
para reviver nossa história
criação de nossos antepassados
presentes
e fizemos dias de lembrança
na trilha de um caminho a seu convite
para um invisível abraço
nunca uma ilusão
não canto sem razão
essa fábula é nossa história
um pressentimento de todos
que ouviram nossas lendas
no gotejar do tempo
essa fábula é nossa história
um pressentimento de todos
que ouviram nossas lendas
no gotejar do tempo
não sabemos o que o futuro nos reserva
ao coração e ao mundo
todavia conservamos um sentimento
memória do sol que nos aquece
não em sonhos imersos
mas no caminho real de cada vida
ao coração e ao mundo
todavia conservamos um sentimento
memória do sol que nos aquece
não em sonhos imersos
mas no caminho real de cada vida
essa Luz haverá de nos conduzir
"aonde murmure eterna a água da juventude
[...] mas uma coisa nos afiance,
pai, e será: que um pouco do teu dom
seja, e para sempre, repassado às sílabas
que em nós, abelhas zumbindo, levamos.
Longe iremos e levaremos um eco da tua voz,
assim como se recorda do sol a erva sem cor...”
[...] mas uma coisa nos afiance,
pai, e será: que um pouco do teu dom
seja, e para sempre, repassado às sílabas
que em nós, abelhas zumbindo, levamos.
Longe iremos e levaremos um eco da tua voz,
assim como se recorda do sol a erva sem cor...”
[Ossos de Sepia - Eugenio Montale]
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
BROA
o inexorável tempo não nos separa
a vastidão das distâncias ao contrário nos une
na imobilidade infinita
desta pedra
que nós nos somos
(eu mesmo, em "Familia" )
não
nada do acaso
a nossa vinda a Broa é testimonianza
di un viaggio chi non é finito
ma un scenario vigoroso fatto da noi
per far vivere ancora nostra storia
creazione da nostri antenati
presenti
e fizemos dias de lembrança
na trilha d'un sentiero con loro invito
a un invisibili abbraccio
nunca uma ilusão
não canto sem razão
essa fábula é nossa história
um pressentimento de todos
que ouviram nossas lendas
no gotejar do tempo
não sabemos o que o futuro nos reserva
ao coração e ao mundo
tuttavia conservamos um sentimento
memória do sol que nos aquece
não em sonhos imersos
mas no caminho real de cada vida
essa Luz haverá de nos conduzir
"dove mormore eterna l'acqua di giovinezza
[...] pur di una cosa ci affide,
padre, e questa è: che un poco del tuo dono
sia passato per sempre nelle sillabe
che rechiamo con noi, api ronzanti.
Lontani andremo e serberemo un'eco
della tua voce, come si ricorda
del sole l'erba grigia..."
[Ossi di Seppia - Eugenio Montale]
Rio, 24 de outubro de 2016
[www.poemasinconjuntos.com.br]
domingo, 2 de outubro de 2016
DIA DE TEUS ANOS
para Maria Luiza
o sol sempre desponta nos teus anos
brilha a vida
acalenta os sonhos
que pelos tempos sonhamos
escrevo para que saibam
do rio fluente que somos
sob tua condução
penso em ti sinto meus filhos
amo meus netos
que trouxestes plenos de amor
é nosso o tempo
ainda
isso basta
Rio, 02 de outubro de 2016
quarta-feira, 28 de setembro de 2016
INDAGAÇÃO
que seria se nos olhássemos
no espelho azul translúcido
sobre pedras imóveis
que aparentemente se movem
ao ilusório sabor do ritmo da água
inconstante efêmero circular
de folhas que decaem
e flocos de nuvens que distorcem
o branco dos céus
apenas ondulando minha imobilidade
que o vento sopra para o sem fim
Rio, setembro de 2016
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