entre sonhos
e fatos
não me surpreendem caminhos
ínvios e viáveis
soluções
entre erros
talvez irreparáveis
com certeza entretanto
sobrevivo
sonhando
Rio de Janeiro, agosto de 2021
"Porém, pera cantar de vosso gesto a composição alta e milagrosa, aqui falta saber, engenho e arte." Luís de Camões ... assim encontrareis aqui palavras magoadas a tornar o fogo frio e dar descanso a minha alma condenada ...
entre sonhos
e fatos
não me surpreendem caminhos
ínvios e viáveis
soluções
entre erros
talvez irreparáveis
com certeza entretanto
sobrevivo
sonhando
Rio de Janeiro, agosto de 2021
contemplação até o impulso
da visão de ontem
tanto tempo
em busca da face oculta da lua
saudade
traz à vida fatos
e faz história
tão perto do irreparável
recolho a memória dele
e me envaideço
do pai que foi
tudo é breve
não se retorna no tempo
o breve ser
entretanto não me amarga a vida
enriqueceu-me
deixe-me crer
que dele herdei a boa cepa
"nem quero mais que o dado
ou que o tido desejo" (FP)
foi só o tempo
e o milagre de também ser pai
que em resumo é vida
tudo mais é pensamento
Rio, 08 de agosto de 2021 - dia dos pais - (Fernando Pessoa)
(www.poemasinconjuntos.com.br)
o que não se revela
esconde a ilusão e o sentimento
como fato invade a alma
sorrateira descoberta
não o sei dizer em palavras
traem juramentos
nada posso contra consequências
da revelação fora do tempo
como a sorte não escolhemos
os caminhos que tomamos
sorte
vista por dentro
inesperada
oprime e desampara
Rio da pandemia, abril de 2021.
Já o outono chega
e a manhã desponta ilusionista
não há neve nem as folhas caídas
ainda
assim é o que sinto
no ato simples e diário
de esperar o sonho
não o "cárcere do universo" (1)
como sonhos são sonhos diferentes
um de vida como anteontem
outro de perda no fundo do infinito
nesses momentos surge em mim o homem
a contemplar o o amarelo virtual e o branco de ideias
inglórias como folhas caídas
e o nada da vida
diante do inevitável ocaso
resumo o pensamento ao sentimento
e vivo intensamente
o que sinto
Rio, abril de 2021, tempo de pandemia e solidão
(1)Jorge Luis Borges