domingo, 14 de julho de 2024

NAUFRÁGIO

 


só o mar me fascina e faz completo
na sua imensidão azul comanda todos os meus versos
sua audácia preenche minhas veias
e nesse meio
o barco a vela ou navio cheio
partem e chegam e eu pra sempre fico
a mirar o horizonte reto
espero
enquanto não me vem a morte
interromper o que já é naufrágio
desta viagem que é vida ainda

Rio de Janeiro, 14 de julho de 2024.

sábado, 13 de julho de 2024

O QUE SEI

 


às vezes penso que sei
mas o que penso passa
e o que é breve nada diz
vejo o mar e o horizonte longo
azul sobre azul
vem como o vazio
onde sopra o vento
do que penso
e tudo passa
apenas sinto


Rio de Janeiro, 13 de julho de 2024

sábado, 29 de junho de 2024

MEMÓRIA

 


memória
seu rastro nos acompanha a vida
não revela a fonte
mas nos confronta o instante
quem a sente é o coração
alegre ou lamentoso
enquanto fugidia a lembrança nos assalta
e como ideia voa
vem e nos toca a alma
enquanto não a atenta a mente
e deixa incerto
o sentimento denso
de um momento
é sonho misto de realidade
que mal revela um tempo
voa em instância própria
tal como sentença de inocência certa
e dela resta o lapso sentido
que nos completa a vida

Rio de Janeiro, 29 de junho de 2024

quinta-feira, 27 de junho de 2024

INDAGAÇÕES

 

o que pensar de outra vida
se esta vida é tão boa

pra que trocar o sol e a lua
pelo desconhecido sem luz

toma-me por vezes a ansiedade da partida
e o conteúdo confuso do que está por fora de mim
mas penetra sorrateiro como quem nada quer
e passo a escovar metáforas em cantos
da minha vida interior
indagações
todas as questões
de extensões humanas e cacoetes verbais
chama por mim o que não conheço
e me pega por dentro
venenosamente
dilatam-se percepções
estremeço e não durmo
mas felizmente assoma o tédio de pensar
e não chegar
a nenhuma conclusão
melhor adormecer
e não pensar nisso ou naquilo
e combinar que sim
serei levado
pela poeira ao desconhecido abstrato

Rio de Janeiro, 27 de junho de 2024.

terça-feira, 25 de junho de 2024

EU E O MUNDO

 


pouco há entre mim e o mundo

exceto o fato de existir um mundo e nele eu estar

dois conjuntos que não se entendem

pois sou o que viveu a vida sem dar tempo ao tempo

e de tempo que é feito o mundo 


tempo de nascer

tempo de viver

tempo de deixar de ser

nem sei por que volta e meia penso

enquanto me espera a sorte

de morrer quando me espera a morte


eu e o mundo

onde apenas sou enquanto o mundo 

emaranhado de vários eus e muitas coisas

me faz sozinho o resultado sem explicação

de complexidades 

soma de simplicidades


e eu aqui com o passado à porta

de um futuro absurdamente presente


súbita 

a ansiedade emerge

de um tempo 

de vencer o mundo


Rio de Janeiro, 25 de junho de 2024.

CONTRADIÇÃO E SÍNTESE

 


sou eu e outros que em mim convivem

pedaços de mim e de meu pensamento

sem jamais me tomar inteiro

mas 

momentos

não há contradição em muitos ser

o corpo é uno a alma múltipla

capaz uma de amar nem mesmo que uma a odiar

mas 

fora do cotidiano

viver muitos é nada fácil

figuras do presente memória do passado

suposições futuras que atormentam

um claro abismo

entre mim e outros eu

sem pensar nas coisas que são coisas e muitas são

mas

é no emaranhado que na soma não é nada

a conviver ódio e amor

é a vida que me deram

essa a verdade


Rio de Janeiro, 25 de junho de 2024.




sábado, 22 de junho de 2024

SONHO

 


sei que o tempo passou

e o que sei é lembrar tudo que deixei

de viver de amar e sonhar


é breve o tempo

quando se o deixa passar

implacável insiste em ventar

mas viver e amar

será jamais deixar de sonhar


Rio de Janeiro, 21 de junho de 2024