segunda-feira, 10 de agosto de 2026

NADA

 


nada digo

porque não sei o que dizer

tudo passa

porque o tempo nem permite viver 


o que tenho não é nada

que levarei comigo

pouco tempo neste poema

nada digo fora de hora


mas o real é a hora

nem memória 

nem este tempo de vida

que é pouco e não é nada


Rio de Janeiro, 10 de agosto de 2026




FIM

   

nada aconteceu 

tudo passou

nem houve tempo de saber

cada fato

no entreato acabou


tão rápido

nem sobrou a palavra

para dizer o quê 


como dizer

a hora que passou


o tempo é agora

não o que perdi

nem o amanhã que ainda não há


é quase noite

o fim se vai

nada resta


Rio de Janeiro, 10 de agosto de 2026




terça-feira, 21 de julho de 2026

ELEIÇÕES

 

repito
temo
repito
minha indecisão
na certeza
de uma eleição
trata-se do deserto
de pensadores e idéias
da falta de homens de ação

da esperança

quem sabe alguma mudança
mesmo na contra-mão

Rio de Janeiro, 21 de julho de 2026


domingo, 19 de julho de 2026

DEJETO

 

não há começo nem fim
talvez a vida
e coisas todas
a serem vividas enfim
assim estou eu
os anos e um lugar
sem mais projeto
nem meio
dejeto
entretanto
é possível viver
enquanto o isolado planeta
é lugar de diversão
ainda
esperar a sobrevivência
entre loucura e desesperação
não é muito
mas o que resta
e violência
Rio de Janeiro, 19 de julho de 2026

terça-feira, 7 de outubro de 2025

VIDA

 

estou onde sinto
o mistério da vida
e toda a velocidade do tempo

cruzou por mim
isolado e vadio ao vento

frio arremedo de vida
de onde me resta partir

em câmara lenta
o momento
suprimido


Rio de Janeiro, 7 de outubro de 2025

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

NADA A DIZER

 

vivo da memória
e por ela sei a sequência
talvez um nexo
com um futuro que não verei
isso basta
nesse entre ser e não ser

diálogo ou indiferença

escrevo tentativamente versos

Rio de Janeiro, 02 de outubro de 2025

terça-feira, 30 de setembro de 2025

Perplexidade

   

existo levado a pensar
nos homens que sobrevivem
e nos que se foram depois de acreditar

é preciso um sentido
das coisas que não se fazem sentir

talvez sinta esse sentido do real
alma e corpo
o visível e o invisível

e serei o poeta que amou a vida
e a viveu completa

e direi no fim que viver
é o que sei
tal como vivem flores
entre pedras que não são amores

Rio de Janeiro, 30 de setembro de 2025