terça-feira, 24 de março de 2009

FAGULHAS







é falso o incêndio de meus dias
são fagulhas ávidas de luz
ardendo a vida!

Rio, março de 2009.

segunda-feira, 23 de março de 2009

O TEMPO NEUTRALIZADO



um silêncio abstrato
apaga o rumor da gente

o coração descompassado
projeta sombra
sobre a luz difusa
do que sinto que perdi
no tempo neutralizado

não ouço o desejo
irriquieto antigamente

com um pouco de imaginação ainda vejo o sol
bem no fundo de meus olhos
baços
onde a luz vacila

era tão bom viver!

Rio, março de 2009.


UM POEMA





escrevo um poema de melancolia

da saudade difusa que levo comigo
de um passado que não tive
no presente que não vivo

no horizonte um futuro
derrama-se em vagas
brancas e esquivas

debruço-me para reconhecer-me
no fim de tudo...

Rio, março de 2009.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

RIO



A large smile
It’s summer in Rio




o mar desmaia
grisalho sobre mim
sorrio

é minha praia

a brisa
acaricia a floresta
e uma vela no horizonte
da janela navego o largo mar

sorrio
alheio
estou no Rio...


Rio, fevereiro de 2009

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

DESEJO




... quero tocar-te a pele
e deixar-te ao poente
nesta loucura do passar os dias
de oriente a ocidente

quero tocar-te quente
arder-te sem queimar-te
e voltar
para ser teu assim de repente

quero esse querer ardente
que já não sei se basta o sol
ou outra luz
que ilumine e queime
impiedosamente
meu desejo

de querer-te sem sentir para depois morrer...


Rio, fevereiro de 2008


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Rio







...o mar aqui bem perto

são espumas

a deslizar e fazer durar

o instante

este chuvisco sutil

esse por do sol



cor do mar


poeira salgada

das entranhas verdes

desse Rio que me desperta cheiros

ritmo

sorriso

a encontrar amigos

coniventes

no amar

cada corpo ágil e o olhar





Rio, fevereiro de 2009

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

MAZELAS




...mazelas...não arrisco falar delas
físicas morais intelectuais e até mesmo virtuais
despencam torrenciais
desprendem-se ao mínimo rumor
de um pálido suspiro
de terror

é escuro o brilho do silêncio
tua ausência suporta mal a fidelidade
que deves ao gênio que escondes em rimas digitais
a língua desmembra-se
divide-se entre o gôzo e o desejo
confunde o antes e o depois
e lambe selos num ritual ancestral
languidamente

julguei que nada havia a dizer do desencaixe
com receio do vazio de teu eu longe do meu

Rio, fevereiro de 2009