sábado, 12 de setembro de 2009

[em construção]













editar é amar sem querer
os poemas postados hoje
em livro que não lerei
corto aqui troco palavras
crio recrio
odeio o que há por fazer


metáforas metástases
paráfrases metonímias
meto-me a frasear
metalinguagem
no drama de me acabar



moleque de recados
ouço palpites de todos
traidores como o diabo
corto aqui corto acolá
resta pouco do que senti


nem sei se sou poeta
nem ser poeta sei o que é
sou só eu mesmo e não outro
que escreve aqui como lá



sábado, 5 de setembro de 2009

MEL








que pena não ser Bandeira
para cantar a bebedeira
com a graça matreira
de um menestrel

na minha idade
falar futilidade
voltar à puberdade
não será fiel

e minh' alma lavada
nem será notada
por essa gente malvada
de bordel

melhor ser conservador
pensar no amor
e deitar minha dor
em potes de mel


Rio de Janeiro, 5 de setembro de 2009





sexta-feira, 4 de setembro de 2009

MAR ABERTO





o mar é meu poema
fantasia
ao alcance do olhar

está sempre perto
mar aberto
e é sempre longe
tão longe
que se confunde com céu

perto
longe
tão perto e tão longe
mas seu rumoroso silêncio
no claro do dia claro
é gesto de seu calor sensual




claro
escuro
o mar dá-me certeza
da noite eterna que chega

é isso
não não é isso
não é assim que o vejo
em ondas grisalhas que vêm
e mais depressa se vão

toccata e fuga
sua beleza assim de perto
é certamente um projeto
do eterno
escalas tão longe
tão perto
na incessante busca do eco



Rio de janeiro, 4 de setembro de 2009



NOITE









esta noite sucede um dia
de pura melancolia




Rio de Janeiro, 3 de setembro de 2009




MARINERA






soy un marinero que no sabe navegar
mi vida és una ilusión llena de sueños
por donde todo pasa
y nada fluye
y és asi que no paso yo


Roma, enero de 2006


domingo, 30 de agosto de 2009

SOLIDÃO








o pensamento sonolento
estremece a gaivota
e o mar cinzento a consome

não sei onde cheguei
estou sentado em duro banco de pedra

olhos sobre ondas revoltas
tão diferentes das de ontem mansas
acariciando peles morenas

este é um dia quase sem memória
onde tudo se repete
e o teatro marinho acrescenta solidão
em palavras
pronunciadas entre lábios fechados
sem melodia

o vento age e traz o medo
do que está por vir
viverei sem me ferir?


Rio de Janeiro, setembro de 2009




sábado, 29 de agosto de 2009

VOCES







sin pensar vuelan
palabras sueltas
por todas las ventanas
y puertas de no cerrar
que decir del castellano
lengua noble de Castilla
tanto tiene a decir
en poemas de amor
en épicos de la gesta humana
pero estes aqui
nada dicen nada sienten
hablan para oír
el sonido de su voz


Roma, FAO..................2005