segunda-feira, 21 de março de 2011

PALAVRAS INTERDITAS







sao palavras proibidas as que tenho a dizer
por isso não as digo mas as deixo crescer
apaixonadamente
no que sou no que me tornei

barcos navegam porque devem navegar
partem ao vento e se fazem ao mar
apaixonadamente
para ser o que são voltarão

já não regresso caminho
mais à frente direi
o que não posso agora dizer

é preciso ficar
um pouco mais de carinho
antes de ser o que finalmente serei

Rio, março de 2011.





domingo, 13 de março de 2011

GAIVOTAS II





I

Ah Gaivota

contam de ti tanta lorota

porque ninguém sabe onde vais...

II

uma gaivota vôa

vôa livre sobre o mar

delicia de ser livre e amar

III

veio finalmente o sol

chamado pelas gaivotas

IV

a solidão da gaivota

diante de mim

é o que me resta

V

e o largo mar

generoso

acolhe cedo as gaivotas

VI

triste o pio da Gaivota

anuncia o dia a findar


Rio, março de 2011





sábado, 12 de março de 2011

GAIVOTAS






para Ianê Mello


I
gaivota no mar
é vôo livre
uma forma de amar

II
gaivota gaivota
que sabemos
dessas nuvens desse mar?

III

voa gaivota
no calor do verão
mergulha no mar

IV
voa gaivota
voa coração
voa o vento


Rio, março de 2011






sexta-feira, 11 de março de 2011

SOL







quando tu partistes com o dia foi-se a claridade
e não canto à noite
como se tudo fosse nada
e não houvera vida

é do sol que falo
e não me serve a lua


Rio, março de 2011




AVE





Para Tânia dos Anjos



O amor é ave
voa



Rio, março de 2011




FADO







não sei como chegastes a mim
fado?
há quanto tempo te espero
e repentinamente surges
na curva do tempo

que magia
fez-me a vida reviver
para sentir
que finalmente sou alguém?

no sem tempo
deixo-me estar
sem contar as horas
mas vivo cada segundo
que tua presença afaga carinhosamente

com palavras reproduzo pensamentos
mas não descrevo o sentimento
nem a idéia matriz deste poema

estou só
por ti apenas
ainda não é noite


Rio, março de 2011.





quarta-feira, 9 de março de 2011

VENTANIA








la prima voce che passò volando
à emoção pertence
é canto da paixão

o meu pretexto é nada
canto os círculos do inferno
que em mim ardem
o nada que me encanta

esta é uma canção de vida
para não viver a morte
é sonho sempre humano
quando anoitece

corro atrás do vento
vendo a verdade e a ventania


Rio, março de 2011.