sábado, 9 de julho de 2011

O SONHO DE VIVER





o mistério da morte só existe enquanto vivo
cessará quando a indesejada chegar
porque discutí-lo portanto
se vivo não me ameaça o encanto
do que tenho por viver


vivo tocado pelo vento
sudoeste sudeste noroeste
o meu anjo é meu sonho
nuvem desejos meu fado


quimeras serão vãs 
que importa?
fazem sentido meus dias
afagam-me como a brisa do vento
que passa tal ilusão


caminho vou caminhando
levo comigo o mistério
de minha razão de viver
mas vivo e canto
o prazer de ser livre 
ser


e cantando vou caminhando
canta coração




Rio, julho de 2011.



GAIVOTA





meu dia começa com a visão do largo mar
imenso plácido suave

desejo ser ave
para livre voar

não me impede a gravidade sonhar
sou gaivota
vivo a liberdade de amar

Rio, julho de 2011






VOA CORAÇÃO







voa coração
conquista no espaço aberto
o desejo de teu bem


Rio, julho de 2011.



O SILÊNCIO DA SAUDADE







de repente faz-se silêncio
quem me dera que as palavras o dissessem
tal como o olhar lúcido inquieto
reproduz o som abstrato
mudo e profundo


quem me dera fosse eu capaz de escrever
o silêncio surdo de um amor
verdadeiro como a estrela
que só no firmamento busca
um outro sol


fosse o silêncio a tua ausência eu entenderia
que nosso amor se acende
no espaço da mais pura fantasia
mas assim não é
e o silêncio ah o silêncio prenuncia
o denso encontro
na saudade que sinto 
qual estrela em busca de seu sol




Rio, julho de 2011.





TEU MUNDO MEU MUNDO





desde que te amo 
sou melhor sou mais feliz
e por ser assim poeta
sou humano
dotado de alma e razão


neste sonho sou quem sou
só a beleza me guia
só o amor me anuncia


respiro o ar da manhã
teu hálito rente a tua boca
é claridade é dia


só existe agora o desejo
de teu mundo
junto dentro do meu 


Rio, julho de 2011.



sexta-feira, 8 de julho de 2011

PALAVRAS...







a noite vem com o frio
anunciando o gelo de nenhuma descoberta
que estranho usar palavras
para dizer diante de tudo
que ouvir passar o vento
é o escuro que me resta
onde não morro
mas desapareço




Rio, julho de 2011



domingo, 3 de julho de 2011

ASSÉDIO IMPRÓPRIO





por que ainda não Te revelastes
deixando à sombra instinto e intuição?
tens a soberba de saber todos os caminhos
ou tens os caminhos a Tua disposição?


não importa qualquer resposta que me dês
mas o que vejo em Ti
sem que Te reveles
se não são respostas indicações serão


ilimitada é Tua força
inefável presença
indesejável
mas há limites no que sou


é desigual
como futuro e eternidade
o tempo que não medes
e aquele que me dás


escrevo como quem fala
mas canto e-xas-pe-ra-da-men-te
que morrer será viver


será?


a visão das coisas alcançáveis
difere da intuição que não alcanço
talvez
talvez me falte o tempo
que Te sobra


quem Te mandou fazer essa visita
enganou-se
o endereço é outro
outra a Tua lida


nada perdi tudo vivi
mal começa o novo tempo
na janela que abri


no que vivo há de tudo
desde o mar infindo que me cerca
ao amar finito do que sinto
coração valente
só porque em sombras te cobriram
meu entendimento e consciência se abriram


mas não falo ao coração nem canto


vento que conduz meu pensamento
acorda-me
para que resista a quem me ameaça
a liberdade de existir
para sentir a vida cá na terra
e amar o amor que ainda tenho


quanto a Ti
anda 
continua Tua ceifa
há multidões a Teu dispor
deixa-me
quero o tempo de gozar o amor 
os meus iguais
o ar puro
o mar infindo
a terra próspera
a natureza
e o tempo que além brilha




Rio, julho de 2011