segunda-feira, 12 de março de 2012

A CASA



a casa é simples o coração mais complexo
porta para os amigos fechada a desafetos
janelas para entrar ar e olhar 


pouco dinheiro para ocupar prateleiras pela metade da fome


a casa é branca caiada corações janelas portas azuis
a sala vazia do escasso sofá de modo a que sempre caiba ventilador e TV


a cozinha é coração cansado de tanto bater
da mulher com olhos de espera cansada do que pedirão 


o ladrilho do chão falta aos pés que os pisarão
juntam água lambendo paredes negras de fumo
sob luz sobre sombra

no quarto cama trazida de onde não sei
um homem dorme em silêncio ronca quieta tensão


outras camas juntadas demônios ou anjos da noite
sonham em segredo vento quente verão 


vagas pessoas na sala cerveja quente na mão
sem dizer de onde vêm não anunciam onde vão


no quintal nada se passa exceto o cão a ladrar
mangueira que não dá manga galinha ligeira mais magra

escrevo
e tu a me ler
 




Rio, março de 2012.



domingo, 11 de março de 2012

ANTIGO AMANTE



branca areia eternizada pelo mar grisalho que em tua cama deita a quieta fúria em ondas do delírio percebido no surfar erótico de jovens dourados entregues ao ritual de te desvirginar  branca areia do mar desmantelado da sensualidade exposta em movimentos ritmados excitante de todos os sentidos a ti dedico a fé e o silêncio de oração ao vento sibilante eu que sou antigo teu amante  


Rio, março de 2012.


ILHA



tu és a ilha escolhida em pleno mar para isolar-me e amar teu corpo sinuoso tua boca exangue teu calor sempre inocente  Tu és a ilha do desejo incandescente a arder meu mundo de cores tão sombrias vermelho sangue último sopro de meu corpo agora que morrer não é segredo agora que o amor foi desvendado tu sempre tu no sonho de ontem e de hoje desenhando em traços fortes o futuro curto que tornarei eternidade 


Rio, março de 2012.


AMAR O MUNDO



amo-te mundo de guerras e amores amo-te no meu tempo de viver porque enfim não ser seria impedimento de amar Amo-te no universo de meu ser em prosa e verso amo-te e por amar-te peno a delícia do corpo ignorada a alma toda ela resumida em dor 


Rio, março de 2012.



sábado, 10 de março de 2012

O SEGREDO



na planície estatelada serpenteia o rio / em curvas sinuosas envelhecido / à beira das águas espraiadas /  em busca da razão / na paisagem larga pergunto quem o viu / impetuoso lento impreciso / derramando águas desalmadas / silenciado o coração / quem teria a senha do sentido / da força de viver / deitado agora envilecido / a resposta  talvez fosse ser / o segredo incompreendido / que jamais pode dizer // 


Rio, março de 2012.



CANTADA





amar o outro parece dança / um e um compondo dois / no movimento a um só ritmo / para tornar-se hormônios depois / amar é paz / quando não há ninguém / e dançar nos traz / tudo que a vida tem / a três por dois um beijo / um beijo antes e depois / tudo energia / essa dança ritmada / é movimento / um momento da cantada // 




Rio, março de 2012.




SÓ?



o mar diante de mim
montanhas atrás
entre a terra o céu 
estou eu


Rio, março de 2012.