segunda-feira, 9 de abril de 2012

SAUDADE







... a saudade é beleza presente de uma ausência sentida...


[ainda pensando em Borges]


Rio, abril de 2012.


BORGES




" A esperança é a saudade do futuro que ainda não temos." 

Jorge Luís Borges


[citação de memória]


Rio, abril de 2012.

ESPERANÇA





...e a esperança é beleza que antecipa o sentimento  futuro ...


[inspirado no axioma poético de Borges]


Rio, abril de 2012.


BELEZA



a beleza é o que sinto
no olhar
na percepção de meus sentidos
no toque personalíssimo do sexo
no sentimento pungente do amor


se é triste revelará tristeza
e meus olhos chorarão
o sonho que me frustrará


mas a alegria de sentí-la
faz-me viver  




Rio, abril de 2012.




domingo, 8 de abril de 2012

INDAGAÇÃO



talvez haja singulares neste mundo plural
de mediocridade o coletivo da gente 
sobre a terra fria
seja inverno ou pleno verão


nunca tanto a realidade me escapou
talvez porque nasci como todos
e sou parte dessa mesma exterioridade
companheira de minha solidão


onde estão os singulares
onde os encontro
no meu errar inconsequente
em busca da compreensão


aprendi-os talvez no mito do passado
pensei entendê-los em sua lida
se verdadeira ou falsa não sei


e entretanto
o universo é o mesmo 
mesmos são os homens
iguais as mulheres
mas havia sábios guerreiros e santas
sob o mesmo céu


hoje é dia de indagação
de questões sem solução
na prova de viver setenta e um anos
e ver nascer sete bilhões
que não farão vingar a alegria
de fazer o que não fizemos
em tempo de salvar o que nos resta
neste planeta singular


mas porque me pergunto se não sou responsável
nem singular entre homens e mulheres
que apenas sobrevivem 
em meio à beleza do que somos
inconsequentes
na rota desconhecida do universo
de que só consigo este verso


quem somos porque somos para onde vamos
em nossa triste rotina de destruição...


Rio, abril de 2012.






sábado, 7 de abril de 2012

À LUZ DO DIA





foi-se a noite 
e todos os segredos
ofuscados
pela luz do dia


foram-se
o medo da sorte
fantasmas da mente
pesadelos inconsequentes


sombras e vultos
foram-se covardemente
ao brilhar a aurora


voa agora a alegria nas asas da poesia
é pleno dia




Rio, abril de 2012.




POENTE



nada de novo há
nada
exceto a beleza recobrada
do por do sol
em um poente cada dia


olhos postos no astro em fogo
e o pensamento no eterno esquecimento


Rio, abril de 2012.