"Porém, pera cantar de vosso gesto a composição alta e milagrosa, aqui falta saber, engenho e arte." Luís de Camões ... assim encontrareis aqui palavras magoadas a tornar o fogo frio e dar descanso a minha alma condenada ...
terça-feira, 1 de maio de 2012
MEUS OUTROS BLOGS
VAGAPROSA - alguma prosa, conversa séria e conversa fiada
http://vagaprosa.blogspot.com.br/
ITALIANITÀ - blog fechado, sobre minha vida italiana
http://ricordanza.blogspot.com.br/
O QUE SOU
a tarde cinza voa com a gaivota
suave silenciosa passa
e aqui à beira-mar
insiste em pulsar
meu coração
e sem querer deixo passar
tudo que fui
para não viver nem o que sou
Rio, maio de 2012.
IMPROMPTUS
mais grave que a dúvida é a certeza
que tudo diz sem o saber
e tudo meu incerto e dúbio
não sabe nem mesmo ser
perdido no pequeno da visão
o que vejo é tudo
e é tão pouco
o que me pede o coração
diante de mim o mar imenso
por sobre um céu infindo
e sou só sem desejar
exceto o que é meu sentimento
por isso sem certezas já duvido
do que vejo e do que sinto
por tudo que em pensamento
sei que finjo sei que minto
"Impromptus", primeiro de maio de 2012.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
O BEIJO E O POEMA
a paixão do beijo que estremece os lábios e se torna verso
é o calor da palavra que os entreabre para o universo
o poema é o amor do mundo
o beijo quem o revela
o poema voa
o beijo cala
Rio, abril de 2012.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
REDESCOBERTA
ah como eu queria outra vida ter
não no etéreo onde não irei
mas na terra mesma
onde te encontrei
é como gente que eu bem queria
pelo perfume descobrir a flor
a beleza dela outra vez viver
e em meio ao mundo redescobrir o amor
Rio, abril de 2012.
FIM DA TRILHA
calo-me ainda que meus lábios queimem
mas hoje se mo pedissem
um pouco mais
diria
do medo de perder-te
vida
que é encanto é claridade é música
onde a natureza canta
em cada letra sua beleza toda
escutando o vento
e o mistério que seu soprar nos traz
não é pela árvore que a floresta encanta
mas toda ela
e o saber do mundo
o mundo todo em que o amor é lei
é pelo regato que descubro o rio
a seguir-lhe as pedras vou chegando ao mar
sou filho das águas tateando o chão
no fim da trilha
amo o que tenho
amei o que perdi
dialogo com o coração
e peço
piedade que a terra também morre
Rio, 25 de abril de 2012.
O FIM DO MUNDO [II]
* * *...nao nao sinto o fim do mundo* *não me perdi para a vida* *que na idade parece interrompida* *às vezes quando o sol se põe* * * *tivesse nada conhecido* *a ninguém amado* *ainda assim passou por mim* *a juventude* *memória de alegria e de ternura* * * *quem hoje sou ainda é jovem* *que me encanta tudo* *no que descubro* *da beleza quando nasce o sol* *ou quando reluz a lua* * * *e cada dia repete* *o irrepetível sentimento de estar* *em meu lugar* *o mais antigo* *o mais recente* *onde posso ingenuamente amar* * * *Rio, abril de 2012.* * * * *
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