quarta-feira, 23 de maio de 2012

LABIRINTO



impromptus
 em conversa com o poeta Fausi Kalaoum


está em mim o labirinto 
nem o de Borges não o de Pessoa
mas o que me desafia

dele perdi de vista a entrada 
sem ver saída
disperso no descaminho
entre inferno e paraíso 

pertenço àquele gênero de homens que não são 
nunca foram nem serão
do que é porque não quer mudar 

nem alma tenho
sou presa da fuga do prazer
uma espécie de febre que me queima as entranhas
deixando vazio o arcabouço
calabouço da alma que teima em não partir

parece sinfonia de Beethoven na surdez
mas é melodia que suave desiste de soar

gozo que emociona
na ilusão de pensar

vivo a incoerência da alegria 
porque me mato cada dia
a sonhar com o amor e o prazer
e pensar
em meio à culpa de ser velho e me perder

                   Rio, maio de 2012.

REALIDADE


pouco penso quando escrevo
não por horror ao pensamento
mas por amor às palavras


a realidade é sonho [dizia o poeta]
e música [direi eu]
submetida a sentimentos
do andante ao staccato

e assim escrevo sons da ilusão



Rio, maio de 2012



segunda-feira, 21 de maio de 2012

RIO+20




Visite [ficarei envaidecido] meu BLOG 
" www.vagaprosa.blogspot.com " 
Ali tenho replicado artigos de minha autoria publicados na imprensa sobre a Conferência Rio+20.





segunda-feira, 14 de maio de 2012

ENTENDIMENTO



o entendimento surge do momento
supera a palavra
magicamente existe
quando nos olhamos nos olhos
e silenciosamente nos aproximamos

conscientes de tudo
ficamos os dois sem palavras
inconscientemente
deixando revelar-se o mistério
de estarmos juntos

Rio, maio de 2012.




domingo, 13 de maio de 2012

AUSÊNCIA II




domingo, 13 de maio de 2012

...divagando sobre um tema de Drummond...



AUSÊNCIA II


a ausência de que falou Drummond
não é falta
mas "um estar em mim"


não entendi o saque do poeta
mas hoje percebi a ausência
como a beleza da flor 
que me encantou


a flor estava lá e lá ficou
um dia murchou
e se desmanchou
mas a beleza dela
continuou em mim 


tanta coisa encontro em mim
mas lembro cada uma
uma de cada vez


são pessoas coisas emoções
cuidados zelos carinhos
interesse e atenções


gente me produz difusa ansiedade
amores ódio algum desgosto
imagens às vezes confusas
guardadas em mim


há ausência que me remete ao passado
ou me agita o presente
mas temo horrivelmente
a ausência que venha a sentir no futuro
de quem está hoje comigo
ou dos poucos que virão
ainda
e no tempo que resta
não estarão junto de mim


Rio, maio de 2012.



A GLIMPSE



é curioso o tempo
que não se conhece por antecipação
mas quando chega
revela-nos em um átimo
se atentos
sua essência passageira 


assim a sensação de ser feliz
que é um instante roubado
da realidade


Rio, maio de 2012.