segunda-feira, 22 de abril de 2013

NO RITMO DO TEMPO


olhar trespassado pelo sol
desejos insaciáveis sensações
inadiáveis dias

o verão prenuncia
um outono transitório
e o sol que se despede
a dar lugar à lembrança
fria
do implacável tempo

Roma, julho de 2005/Rio, abril de 2013


















domingo, 14 de abril de 2013

DESVARIO


isso de ser poeta é ser vario
um pouco como não ser eu
há um que me instiga
outro que me castiga
para refluir já diverso
nesse vai-e-vem inconcluso
na composição de meu verso
o real é insincero 
o sonho louco desvario
nele não sou alegre 
nem triste sou 
hesitante
entre a eternidade e o instante
entre a terra e o céu

canto o que não sinto

caótico disperso
inconscientemente minto 
em frases de efeito certo
palavras que não têm nexo


Rio, abril de 2013.


domingo, 24 de março de 2013

TRISTEZA


a noite longa sobrevoa
o tempo que se esgota
na tristeza estranha de uma ausência
a lembrar passado
machucar presente
para indagar futuro
desconcerto
da ansiada presença
em cujo rastro vivo


Rio, março de 2013















terça-feira, 19 de março de 2013

DIA E NOITE


a beleza do dia
é a beleza da luz
o dia é alegria
que encanta e seduz
a noite muda de nome
escura é ilusão
do claro atrás da lembrança
da beleza da esperança
nada é em vão


Rio, março de 2013



sábado, 23 de fevereiro de 2013

FURTO DO FUTURO


dia-a-dia renovo meu futuro
deixo o passado
nada é impossível assim
a vida sossega
mágoas extinguem-se ao fogo do tempo
mas posso sentir saudade
de um momento
e é suave o perfume desse jardim

deixo a luz acesa quando durmo
uma recordação da consciência
que não se apaga
mas não impede o sono
e as lonjuras do sonho
que terminam e retomam o fio da meada
para dar-me perfeita
a ilusão de viver

à vista do porto
aproximo-me do cais
e trago comigo meu sonho de infância
sob a forma de ideais
da ilha dos tempos
e afago o amor que nunca me deixou
em meio as cores e perfumes
de todos os lugares

para além da vida
tenho o mar e o céu
batidos pelo vento
e esperanças da mocidade
para escrever minha história
súmula de um passado que se apaga
com um aceno
ao curto futuro que me espera
como furto
e me embala

Rio, fevereiro de 2013




domingo, 17 de fevereiro de 2013

SER POETA


se para ser poeta
dependo da palavra aleatória
jamais farei poesia
pois o que sei é contar histórias
e depois
burocrata
acostumei-me com os memoranda
os fechos formais
Vossa Excelência e Senhoria
sempre respeitosamente

era jovem

já mais velho

cãs
não soberanos 
palavras escapam entre circunvoluções
sem falar no lembrar e esquecer
que em mim são alucinações
que se diluem lentamente
no passar dos anos

se para ser poeta
dependo da sorte
então
só me resta sem me lamentar
esperar a morte
Rio, fevereiro de 2013


FINGIMENTO


poeta finjo
mas não minto
falo a verdade quando sinto
o mar
da minha janela
a vela que flutua
como pássaro na linha do horizonte
enquanto as ondas quebram
grisalhas como eu

finjo o poeta
não minto
sinto

Rio, fevereiro de 2013