sábado, 18 de janeiro de 2014

CLARO ESCURO



no espaço indistinto lampeja um relâmpago
o mar renuncia ao abismo
para espelhar a explosão dos elementos em conflito

no horizonte escuro o repentino brilho
doura o manto negro 
e desperta silhuetas que lhe pertencem

o ponto de luz hesitante de uma chalupa
renasce como sombra na escuridão
e meus olhos espantam-se
com o real suspenso que retoma formas
ilusoriamente verdadeiras

Rio, janeiro de 2014.

VÔO


é fim de tarde 
a silhueta branca cruza o azul ainda

sem temer o mistério de voar
o dourado de um relâmpago
busca a fria solidão

a gaivota silenciosa
risca o eternidade
distante ainda da estrela vespertina
isolando  o tempo
terra e céu

o sol poente 
pronto a extinguir-se em meu campo de visão
interpõe-se

entre mim e eu mesmo
faz plena escuridão

Rio, janeiro de 2014.



quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O DEVIR



escapar da angústia da vida remete ao passado
momentos quando fui feliz
as coisas mudam enquanto o tempo passa
e vem o presente navegante
de um mar de indagações
sobre o devir no horizonte que visualizamos
linear e cinza cheio de segredos

Rio, janeiro de 2014.


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

PORTA




a porta se abre de um lado
mas passa dos dois
quando se fecha 
desastre
não passa ninguém
de lado nenhum

Rio, janeiro de 2014.



domingo, 12 de janeiro de 2014

TEMOR



assim que passas 
tempo
o que foi é como pedra
e o tédio de não mover
só o vento canta a morte dos fatos
lambe e distorce

desompasso
até deixar de ser

assim que ventas 
vento
tão sem discurso
nem medes o tempo
nem o relatas 

qualquer dos teus caminhos
é descaminho
temo o tempo
tanto quanto o vento

Rio, janeiro de 2014.




quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

REFLEXÃO LONGA DEMAIS


tempo que ventas sem trégua
demorar é contraste
do breve à ventania
sem jamais nos pertencer 

Rio, 1 de janeiro de 2014

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

VAZIO



fujo de mim deserto como casa vazia
aberta escancarada
no claro dia entre oriente e ocidente
tristeza em meio à alegria 
dia-a-dia
enxugo os olhos do pranto mal amado
nada vejo mas a curva do horizonte
e sua lacerante simetria

Rio, dezembro de 2013