terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

SER POETA



nem alegre nem triste
poeta (Cecília)

penso-me às vezes que ser poeta é interpretar
o fato além do fato
a sensibilidade além da emoção
a alegria antes que se instale
a tristeza quando tem de vir

como Pessoa (Caieiro) amo a natureza
sinto o perfume das flores
como percepção que está entre mim e a flor
uma certa mística
em ver uma pedra no meio do caminho
(Drummond)

nem por isso sou poeta

Rio, fevereiro de 2014.


domingo, 23 de fevereiro de 2014

VISITA INDESEJADA


circula sorrateira
não ousa tocar-me
estou fechado a suas tentações
e não é o tempo

nem todo dia chove
nem a bruma escurece o caminho
mas a indesejada vem
e cheia de mistério diz
"'e tempo, é quase tempo, esteja preparado
em pouco tempo venho para levá-lo"

pensei como quem pensa
na beleza da noite 
das estrelas cintilantes
e lua cheia
pensei na aurora quando o sol desponta
no poente que despede o dia
e vem a noite bela

dia quente de verão
a brisa lânguida aquecida lambe-me a face
mas pensei na beleza 
que é flor montanha natureza
e mar aberto
pensei materialmente nisso

sem tempo de ser gentil educado agradeço
enquanto penso no que lhe dizer
(é preciso de vez em quando ser indeciso)
para ganhar tempo

pedi tempo
e a indesejada foi-se

Rio, fevereiro de 2014




sábado, 22 de fevereiro de 2014

MINHA CASA II


minha casa tinha janelas vermelhas
e era caiada essa minha casa
uma varanda pequena coroada de uma trepadeira 
que chamávamos primavera
é eterna essa primavera
porque eterna é sua lembrança em minha memória
para mim a casa era grande
largo era seu jardim onde meu pai plantou rosas
essa casa me faz pensar
da importância que ela tem pra mim
e assim porque sinto
essa casa será sempre minha
ninguém a tomará de mim

Rio, fevereiro de 2014.





POSEIDON


Poseidon domina os mares
o oceano é feito de ondas
que balançam embarcações
e as perde em sua imensidão
onde está poseidon no mar
não há domínio dos mares
só há mar e ondas no mar

Rio, fevereiro de 2014.


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

ESTRELA DA MANHÃ



há uma só gaivota no ar
na quietude de seu vôo solo
é despertar da aurora

foi educada a voar nestas paragens
a partir das seis horas da manhã
em circunvoluções aparentemente sem lógica

mas ela é uma precursora
localiza cardumes que navegam sua inconsciente viagem
entre nuvens de peixes inocentes

olha o horizonte e vê os sinais que lhe envia o vento
mede a distância com a precisão do olhar
montanhas previsíveis a estibordo

vê um tênue arco-iris à distância
bonança a bombordo
suave a planar
uma curva longa à direita

havia apenas uma estrela no céu

Rio, fevereiro de 2014

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

POENTE


ontem dediquei-me a olhar o poente
e assim deixei-me olhar
o horizonte dourado
arco-iris inesperado
ambar dominante
pleno de eternidade

Rio, fevereiro de 2014.




segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

MAR DE IPANEMA



meu mar tem a quietude de sua beleza
dia vai dia vem
meus olhos o admiram atento
mar de Ipanema
ouço-o a murmurar
e encantar as manhãs 

se às vezes me apaixono
não me apego a Vinicius
ou nem mesmo a Platão
de verdade falo comigo
fundo no coração

o mar de minha praia
não tem feitos heróicos
tem pedras e areia fina
que se perfilam até ao Arpoador
tem namorados enamorados
apaixonados como eu me sinto
a viver e não pensar nisso

Rio, fevereiro de 2014