quarta-feira, 30 de setembro de 2015

DO SONHO AO PÓ




Só meu sonho vive a minha vida
nele reconheço o que sou
o que foi e o que tenho sido
e tanto é tudo 
do abstrato engano
ao amor de que sou cativo

seja o dia final o fim de tudo
e me converterei ao pó
de onde hei nascido
mas nunca arrependido
do que fiz e fui
o mesmo eu
eu só
vivido

Rio de Janeiro, setembro de 2015




quarta-feira, 8 de julho de 2015

SONETO DA ILUSÃO




tudo quanto sou pertence ao passado
do que fui distraído no caminho
inconseqüente em longa viagem
nada criei no deserto do aquém

o tempo pusilânime e vazio
matou o futuro impiedoso e vago 
de que o presente é como um rio 
cansado espraiado e frio

sigo adiante desconhecendo anos
paralizado e roto de tudo que sonhei
já nem sou mais eu despedaçado

de tudo clamo desenganos
um tanto sonolento esfarrapado
do que perdi no parque de ninguém


Rio, julho de 2015


sábado, 4 de julho de 2015

O QUE SERÁ




o que passou é quase tudo 
causa para continuar
essa descoberta do futuro 
logo ali

o que sou versus o que não serei
lapso de tempo 
que me dói
deixando na sombra do passado
o que foi

Rio, julho de 2015


quarta-feira, 6 de maio de 2015

BRISA




triste não sou
nem estou o que não sou
mas o dia é hoje
com a promessa de amanhã
véspera soprada do que não sei
brisa trazendo o que serei

Rio, maio de 2015


ACASOS




por mais que fosse o que não fui
não quisera ser o que esquecesse
o tempo que não sou

nada planejei mas de repente 
tudo aconteceu mesmo o acaso
que o vento soprou ou eu sonhei

no fim seria advinhar
a teia infinda do futuro
acaso foi inda será?


Rio, maio de 2015


terça-feira, 5 de maio de 2015

AUTOBIOGRAFIA




do sono profundo em que nasci
saltou a realidade sem querer
e foi levada pelo vento
impreciso alento a soprar o sonho
que me fez ser quem sou

Rio, maio de 2015

domingo, 26 de abril de 2015

INDAGAÇÃO




quem sou eu que vivo aqui
e um pouco em toda parte
sempre em fuga do instante
em que a indesejada me encontrará
quem sou no potencial do nada
no dia ou noite já calada
serei eu ou outro 
um para ser outro para descrer
quem sou?

Rio, abril de 2015