"Porém, pera cantar de vosso gesto a composição alta e milagrosa, aqui falta saber, engenho e arte." Luís de Camões ... assim encontrareis aqui palavras magoadas a tornar o fogo frio e dar descanso a minha alma condenada ...
sábado, 9 de janeiro de 2016
FELIZ INSTANTE DERRADEIRO
Feliz é o momento
vivido
como instante encantado
onde o sentimento é teu
e o bem presente
amanhã não existe
mas o instante dado
sem olhos no futuro
ou memória do passado
flui feliz dentro de ti
o bem presente
a soma de instantes
de cada um consigo
vive em nós
imperceptivelmente
sob o nome
no derradeiro instante
indesejado
momentos infelizes
fingem passado
como a dor sentida
não existem
no verdadeiro instante
quando pressentimos a súmula
dos bens presentes
da felicidade
Rio de Janeiro, janeiro de 2016
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
CARPE DIEM
amanhã flui hoje de ontem feito
não me diz nada do futuro
nem o que pode ser o presente
desmedido é o tempo
no lugar que habito
aqui tão perto tão ausente
desmemória de tudo que sou feito
esse é o momento
instante pronto desfeito
do que foi ontem
intuitivamente hoje
a frase circular
para dizer tão simples
que vivemos um instante
agora
Rio de Janeiro, janeiro de 2016
quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
TEMPO
a 2016
um ano um dia um tempo derradeiro
serenamente cura a idolatria
da indeseável hora
segue
feliz quem viveu intensamente
em passos o amor os filhos
netos
pouco menos que o futuro
foi o instante
alheio ao oco
pleno ecoa
em que penso a ideia foge
e setenta e cinco vezes soa
Rio de Janeiro, 31 de dezembro de 2015
sexta-feira, 25 de dezembro de 2015
POEMA A QUATRO MÃOS
para minha neta Ana Luiza, co-autora
ouço vozes como cantos
de crianças sorrisos
aqui onde estou
sonhando
com o inicio do mundo
são meus netos
minha vida
ouço como fossem flores
e seus perfumes
que me acordassem
todas as lembranças
da vida que vivi
e tudo existe porque existo
netos porque sentimos
e isso é tudo
porque tudo é isso
Rio, dezembro de 2015
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
DEVOÇÃO
(no dia de teus anos)
tua magia é seres tu
que me tocas o velho coração como em sonho
de um passado que não volta
mas recordas
no gesto de amor com as crianças
em tua devoção
filhos que são nossos
na nuvem de lembranças lindas
nunca findas
que tantas vezes tenho
por querer e não querer
sou ainda aquele que te ama
neste palco em que serás sempre rainha
e as lembranças
são o caminho que trilhamos
sem ter fim
mas palavras não são tudo
saudade da beleza na vida que me destes.
Rio de Janeiro, 2 de outubro de 2015
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
DO SONHO AO PÓ
Só meu sonho vive a minha vida
nele reconheço o que sou
o que foi e o que tenho sido
e tanto é tudo
do abstrato engano
ao amor de que sou cativo
seja o dia final o fim de tudo
e me converterei ao pó
de onde hei nascido
mas nunca arrependido
do que fiz e fui
o mesmo eu
eu só
vivido
Rio de Janeiro, setembro de 2015
quarta-feira, 8 de julho de 2015
SONETO DA ILUSÃO
tudo quanto sou pertence ao passado
do que fui distraído no caminho
inconseqüente em longa viagem
nada criei no deserto do aquém
o tempo pusilânime e vazio
matou o futuro impiedoso e vago
de que o presente é como um rio
cansado espraiado e frio
sigo adiante desconhecendo anos
paralizado e roto de tudo que sonhei
já nem sou mais eu despedaçado
de tudo clamo desenganos
um tanto sonolento esfarrapado
do que perdi no parque de ninguém
Rio, julho de 2015
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