segunda-feira, 31 de julho de 2017

REALIDADE E SONHO



sonho e realidade
o que vem antes
para ilustrar a vida

tão breve tudo
tudo tão breve

o sonho que nos traz à realidade vem muito tarde
e cedo vem a realidade transmutada em sonho

deixo tudo como começou
pouco mudou se quase nada

era assim quando me descobri
continua assim quando me encubro

o haver de ser mal começa o dia
que se torna noite sem deixar de ser

tão breve tudo


Rio de Janeiro, julho de 2017.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

IMPROMPTUS




um som
impromptus de Shubert

[https://www.youtube.com/watch?v=j1rCDLGcVhs]

de onde surgem não vejo
teclas que se encadeiam
descendentes ascendentes
suspiros
medindo tempos
entre o grave e o suave
vêm e me consolam
da aridez de tudo
da insensatez 
com a lógica de acordes 
lindos por sublimes 
onde o talvez não surpreende
e faz de mim teu 

suavemente dentro de mim
se entrelaçam notas
e magicamente me encantam
talvez sonhando
um amor sem fim

Rio de Janeiro, julho de 2017

SAUDADE III




tempo é circunstancia
o espaço distancia
a saudade é sombra tardia da verdade
realidade que tangencia a imaginação

não se conjugam espaço e tempo

idólatra do passado
a saudade é só presente
não há futuro múltiplo de si mesma

Rio, 06 de julho de 2014/06 de julho de 2017

FANTASIA?




a fantasia é a cena
não entendo o enredo
creio na indignação
de platéia contra vilões

dói o turbilhão de fatos
nesse deserto
onde não nascem rosas
nem sobrevivem lagartos

ratifico a ética
vagueio entre sonhos
que percorrem a alma
numa história do futuro
recomponho pecados cometidos
reúno forças 
o passado serão inexpressivas pedras

Rio de Janeiro, julho de 2017 

domingo, 18 de junho de 2017

CÃO DE LATA AO RABO


                                                                               Minha primeira aventura na poesia, 
publicada   em "A Comarca",  
de Araçatuba (em 1956), 
tinha eu 15 anos. Enxertei 
um texto (2017) do que resultou 
essa combinação explicativa. 


não contarei minha história
mas era um cão com lata ao rabo
a ganir

o que vem

depois pode ser um poema
ou não
mas desse começo guardo o grito
contra a lata no rabo do cão
que não é fato usual
nem natural

 será um poema
não sei
(2017)
*** 


Escrever? Nem pensei,
mas senti.
Será deixar o cão arrastar a lata
e ganir?
Alguém amarrou a lata
e o cão em desespero correu
e cá estou a ganir .
É um eco a imagem
que estilhaça o marfim
janelas caladas
cortinas fechadas
nem um relance de olhar"
(1956)

Araçatuba,1956; Rio, 2017

sábado, 17 de junho de 2017

RUÍNAS


cantei o amor cantei vida
cantei tristeza e alegria
cantei o vento e a brisa
cantei tédio e calmaria

cantei o que não tem causa
cantei o jovem e o velho
cantei mágoa
cantei o passar rápido do rio

o tempo passa a hora dói
ir e voltar e nada encontrar
tudo é vácuo e vazio
ao parar no meio do caminho

não conheço o que sei
nada sei
meu castelo ruiu
no sonho bom que sonhei

tempo estranho sem estrelas no céu
nuvens raras tempestades
um turbilhão só de meu
em meio a um jogo de azar

já não canto
choro
a história se desfez
mas desejo ignorar

escadas sempre descendo
sou ateu

subir graus de ironia
é o que tenho de meu

Rio de Janeiro, junho de 2017

sexta-feira, 16 de junho de 2017

HESITAÇÃO




a eterna busca do porto
linha final 
tudo concertado
para um navegar preciso

nada disso é possível
no esticar longo da vida
onde o que não se pensa
não sei donde vem
impreciso
feliz
dolorido
reenviando ao fim

a vida flui e reflui
não cria modelos
não define regras
nem é só exterior
bem não é interior 
acontece
irreprimível
diurna e noturna
pode ir e voltar
não tem meio de caminho
nem fim
tudo é começo

Rio de Janeiro, junho de 2017