domingo, 7 de setembro de 2025

FIM

 

o tempo fecha as portas desejadas
e abre ansiedade ocasional
por passar

na vida nem tudo foi abertura
por vezes um sonho mau
e o desejo do bem
no que a confusão esclarece
diante da negação
ou da esperada afirmação

passa o tempo tudo passa
e o que penso do que foi
onde falhei
agora diante da incerta certeza
do que vem

janelas do tempo deixam ainda passar
sonhos que virão
ou não
faz quase escuro nos anos finais

Rio de Janeiro, sete de setembro de 2025

sábado, 6 de setembro de 2025

INCOMPLETUDE

 


Não: nada me ajuda

a entender o mundo

tudo se confunde
em meio à razão

não vale a piedade
nem ter mais idade
nem a coragem
de dizer não

vence a funda melancolia
dos anos passados
de muita ilusão
com a humanidade
e sua evolução

uma sensação vazia
de qualquer emoção
rebate minha crença
imutável
na Democracia

todos somos iguais
mas em mim prevalece
a negação
não da igualdade humana
mas da desigualdade da percepção

profundo cansaço
de todos de tudo de muitos e poucos
para além do real
dessa falta de trégua

que é da gente
a sofrer completamente
da falta de razão
da Paz que não parece chegar

e da liberdade de sonhar
no sentido lúcido e comum da vida
afinal

Rio de Janeiro, 06 de setembro de 2025
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segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Chronos

 


depois de amanhã

depois

o mesmo sol 

o ar 

o céu e o mesmo mar


essa a paixão

desconhecer o fim de tudo acabar


mas 

o tempo é presente 

o futuro amanhã


o passado

ainda ontem foi presente igualmente


Ah o tempo

quem domina o tempo

Chronos...


quero a paz 

de viver para amar

as pedras a areia e o mar

das tardes de verão


nem tudo a mudar

vivo o presente

do meu tempo


que o leve Chronos

estou decidido a ficar


Rio de Janeiro,  dezembro de 2024



quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

VIDA

 


viver talvez sentir
a estranheza de pensar
o coração
e abstratas ausências

sob o sol

na fúria destemperada do clima
misturam-se emoções
e descompensam o valor de desejar


não não vivi bastante
importa o que está ausente
o que de repente vem
como um suspiro leve
chega e parte
para deixar a lembrança que pouco dura
do que se foi
subitamente

Rio de Janeiro, 25 de dezembro de 2024.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

DO ALTO EM BAIXO

 

por longas trilhas andei

da planície ao monte incerto

na subida e na descida

um sentimento diverso

mas sem nexo


nunca ousei dizer

o que havia de medo no mais alto

e o alívio vivido cá em baixo


nas nuvens da memória pairam ecos

atrás só a suspeita

nada precisamente à vista


escondidos na memória

atos

descansam longe da lembrança

esquecem-me

para restarem ilusões


Rio de janeiro, 06 de dezembro de 2024 

domingo, 1 de dezembro de 2024

TEMPOS PASSADOS

 


Se não vem dos anos vividos
de que serve o tempo passado
calmo e deslustrado
pelo vento embalado
desassistido
em seu lento afastamento
pouca ação e sem vontade
uma falsa mocidade
renova o tédio
de viver o dia
hoje sombra da realidade
não sei viver de pesares
retomo a cada instante o que resta da memória
e descubro entristecido
que sou dela ignorado
caminho desastrado
sem luz ou Lua nesta hora
me falta sol
tal como um justo fim de tudo
Rio de Janeiro, 01 de dezembro de 2024.

domingo, 21 de julho de 2024

DIPLOMATAS

 


nos símbolos de cada história
fundem-se vidas
e as acompanhamos como ilustrações
de um só mundo de significados
da infância à idade velha
lugares e pessoas
distinções
no repentino das mudanças
na perplexidade das crianças
e somos nós em páginas de cores
por vezes cinzas
mudando casa
trocando amigos
pensando análises
uma vida e outra
assim vivemos

Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024