terça-feira, 27 de julho de 2010

MINHA CASA







a pedra de minha casa
não se abala
que minha casa é feita da palavra
a começar o dia no infinito

de pedra em pedra fiz meus dias
em firmes movimentos da verdade
sem idade apenas lealdade
a sentir imensa a realidade

hoje sob vento forte ainda
a palavra não difere do silêncio
que é o sonho e vida nova

a casa está presente no poema
guarda almas é fonte e se renova
ao sopro livre dessa brisa linda


Rio, 27 de julho de 2010




domingo, 25 de julho de 2010

DESEJO ETERNO





feliz na longa vida
concedi-me a paz de não pensar
nos males e na gente que um dia
fizeram-me penar

mas se for para vos deixar
amigos
minha alma há-de ficar
não por meu sofrer
mas por muito amar

amei as alegrias
que de saudade trago comigo
por vos ter

vai longa a vida
não me doem mágoas
que as tenho suspendidas
por amor
e nenhum mal no pensamento
que não fiz por merecer

morro
despeço-me de bem com todos
nenhum remédio
senão o eterno desejo de ficar

Rio, 25 de julho de 2010.




terça-feira, 29 de junho de 2010

CANTO PARA UMA POETA


[à lembrança doce de Christiana Novoa no facebook]


os ventos que levam balões enfeitam a vida de momentos passageiros
ensinam a navegar livres
no ar
que nos é tudo
transparente como a presença do amor
não se desfaz
e sobrevive como olhos a nos olhar por dentro
o que talvez seja a nudez exemplar

uma vida é um instante da imensa eternidade
para onde todos vamos
na dança do eterno retorno
ao lugar [lugar?] de onde viemos
e por enquanto aqui estamos
e isso é tudo
quando apenas sonhamos o amanhã
que só alguém sabe o que é...

Rio, junho de 2010




sábado, 26 de junho de 2010

INCERTEZA








assolado o infinito sem tempo é medida do que não há
nesta realidade cerceada rente a muros de incerteza

imortal instante isolado
o momento não vivido
é passado de futuro incerto
presente confinado à consciência
de que agora ontem tem outras cores
e é outra história

encantados entre números e suposições
o universo e a eternidade cruzam-se
para desmentir o visível
na distância imensurável dos anos-luz

encontro olhos que se indagam
mutuamente
em busca do que parece
a razão irracional dos templos

de tudo resta-me a luz de amores intangíveis
e o quanto penso
enquanto o sol me acaricia
como instrumento do que talvez seja a alegria

Rio, junho de 2010






IDADE







onde encontrar tempo na eternidade
como contar o instante no infinito
quando resolver a dúvida do presente
que tem passado inventa o futuro
mas não se apreende?

pergunto-me para gozar a irrealidade de tudo
enquanto espero o inverno
em pleno outono
de muitas flores e um prazer imenso...

vejo-me no outro
mas não me espelho
apenas constato que nada é opaco
e a transparência será identidade

não há idade
o tempo desfaz-se na eternidade

Rio, junho de 2010




quinta-feira, 24 de junho de 2010

SEMEADURA






semear palavras em campo fértil
são idéias que aguardam o sol para nascer
tenras em tantos versos
revelam emoções
a pouco e pouco florescer

cada poema resulta dessa química
de luz calor e natureza
a perfumar a vida de sentido

tudo é externo ao vicejar
tal vida nova

ah o campo será verde
pincelado em tons de cores delicadas
e estarei aqui nesta colina
por sobre o horizonte
na alegria de entender
o bem vivido

nesta aventura inebriante de amar
sou a pedra
que assim me sinto e vivo
ao escrever este poema

Rio, junho de 2010.




domingo, 13 de junho de 2010

THE REST OF MY LIFE





"...the rest of my life begins to begin..."
[minha filha, Mariana, em 13/06/2010]


O resto de tua vida criança é a esperança
que renasce cada dia e vive como a ave
na revoada do tempo sobre o vento

O resto de tua vida é amor e vibração
como tem sido coração

O resto de tua vida é fortaleza
desde que nascestes tua beleza

O resto de tua vida és tu que frágil e verde medra
sobrevive e cresce sobre a pedra

O resto de tua vida afeita à tua lida
apenas foi começo com Alice, minha vida.

Rio, junho de 2010.