domingo, 6 de maio de 2012

CANÇÃO



a fama chegou e arrasou
a alegria que se via
na dança que ele dançava
enquanto ensaiava a letra de uma canção


no fim tudo era vão


Rio, maio de 2012.



RESFRIADO



então ele disse que a amava
assim como se ama em baixo de uma jaqueira
esperando a jaca despencar
feito um limão
pra tudo ser azedo
como manda o coração


foi quando ela disse que isso não era nada
apenas um resfriado


Rio, maio de 2012.



sábado, 5 de maio de 2012

O QUE SERÁ O POEMA?





caminho a trilha dos poetas em busca de palavras
cada dia 
encontro o som que me extasia
paro a ouvir a imaginação
testar a frase como ideia
sem perder o controle do que pensei


jogo aleatório conjuga no ato de escrever
o som e a palavra
sempre o ritmo que sinto dentro
penetrando a intimidade
que se lança fora
inadvertidamente


o ato de pensar cessou
a palavra ficou
a frase registrou   
o som ecoou
será isso o poema...


Rio, maio de 2012.





SONO



intermediando dias 
a alma fala do real interrompido
às noites tornadas fantasia


um vento leva ao sonho
e à lua do outro lado


tudo é difuso no sono
claridades ofuscam o entendimento


morte passageira
entre sonhar e ser 

a dor agita as águas da memória
turvas ainda ao despertar 
a vida sobe a suspirar à tona
o ar que alivia


enigma da consciência 
qualquer coisa fica 
talvez o amor que contagia


a vida retoma madura
o desejo de existir


Rio, maio de 2012.







sexta-feira, 4 de maio de 2012

LUA ALTA SOBRE PEDRA RASA



lua alta sobre pedra rasa
prata no mar


noite de equívocos
sob o luar que me cega
estrelas imaginárias
a quem confesso o que sou
sem jamais ter sabido se fui


pedra quase rasa 
batida do mar


posso chamar-te assim
[saudade] 
desde que te encontrei 
senti que tu me encontravas
enquanto fugia


dirás é tempo ainda
o que não é 
mas fantasia


pensar é desejar ter
o que já foi
mas não é mais


lágrimas derretem o espelho 
sou assim
no que é noite às vezes
sem alegria


lamento ultrapassado sobre a pedra
onde chora o mar


no torpor que me tomou o tempo
um sonho me doía
estrangulado


lua alta sobre pedra rasa
o tempo consumido
rio que corre para o mar
dói


Rio, maio de 2012.



quarta-feira, 2 de maio de 2012

ASAS OU VELAS [VELAS E ASAS]



asas voam liberdade
a claridade inviolada 
como velas navegam 
altas e brancas
a rota sem rumo
de não chegar ao fim


em voo não há brumas
à noite nenhuma solidão


flutuante entre o que fui
e o que sou
vejo o mar 
e horizonte ao fundo
espaço sob azul
velas e asas nada mais


navego onde termina o tempo
tudo somei nada perdi
consciente da brisa que me eleva
e sopra ainda 

se medisse sentimentos
mediria o sol que me ilumina
o céu aberto
assim na curva imaterial da alegria 
presente


tão jovem tão velho tão gente
vou que a curva é da descida
neste voo de chegada
a um lugar que não sei
velas enfunadas
asas 


o que sei deixo no espaço 
vazio de meus versos


Rio, maio de 2012.




terça-feira, 1 de maio de 2012