"Porém, pera cantar de vosso gesto a composição alta e milagrosa, aqui falta saber, engenho e arte." Luís de Camões ... assim encontrareis aqui palavras magoadas a tornar o fogo frio e dar descanso a minha alma condenada ...
quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
JOGADOR
pobre e desvestido
na solidão de nenhum carinho
a bola companheira
era vestígio do passado
jogado
em dribles à frente
história
de um menino sem futuro
olhar brilhante
curiosidade
a descobrir pensamentos
ter ideias
alimentar sonhos
corria recuava saltava
em cada bola um craque crescia
um vencedor anunciando gol
um contrato rubronegro
sub quinze
dezessete
titular
era a fortuna
de um olheiro
que o via sempre à frente
coxas firmes
pantorrilha
certeira pontaria de pés descalsos
cheio de areia
e um ralado na perna
de uma agressão descuidada
a chuteira foi o prêmio merecido
no torneio da rua
começo de um crescimento na grama
Flamengo meia
armador de primeira
goleador
do tiro certeiro
encobrindo o goleiro
excitação da vibrante torcida
seleção
é a glória merecida
na ignorância do passado
trabalhador de passes certos
quatro linhas
Rio de Janeiro, dezembro de 2017
domingo, 24 de dezembro de 2017
NATAL 2017
a cada Natal o passado está presente
são doze meses
e setenta e sete anos
ao redor de uma árvore brilhante
todos todos todos lembrados
todos
queridos e esquecidos
nos desvão ingratos da memória
o que sentimos é força mística
de uma cocheira
e uma criança
com o amor que transborda
desde séculos
séculos a fora
reconheçamos as diferença
e nos façamos iguais
a sonhar com a esperança
e com sorte a acolhamos
dois mil e dezoito é o futuro
que não deixaremos escapar
para não ser apenas um relógio
que só nos diz o tempo
que falta
tempo não há-de nos faltar
vivamos felizes o que nos resta
e que passar não seja difícil
breve o tempo breve os anos
tão pouco a vida dura
somos quem nos fizemos
faremos mais
que tudo seja melhor...
Rio de Janeiro, 24 de dezembro de 2017
domingo, 5 de novembro de 2017
PERCEPÇÕES
tudo é presença
a luz o sol ou a lua
o mar que me incendeia
toda a extensão da areia
montanhas de pedra ao redor
mora em mim a certeza
do bem por acontecer
assim tem sido
assim bem há-de ser
atraído pelo mundo
não me conquista o silêncio
"fecho os olhos, oiço o mar" (FP)
antes do sol sob a lua
o sopro da brisa é paz
assim durmo e acordo
ansiedade
verdade
enleio
sei que a realidade é razão
entre o que penso e o que vejo
o mais é o que não sei
Rio de Janeiro, novembro de 2017
domingo, 29 de outubro de 2017
SONS
marejar de ir e voltar
renúncia de tudo
alongada aceitação
síntese
em sons lânguidos do mar
nesse bulício distante da noite que cai
amar crer desacreditar não ver
mas sentir e lembrar
no ritmo dos sons
alegrias e tristezas de anos atrás
ouço o eco altivo do tempo vivido
do que poderia ter sido
de tudo que sonhei
o marejar hesitante à sombra da noite
traz o passado e olvida o futuro
mas acalma e faz meditar
o horizonte fundiu-se na escuridão
Rio de Janeiro, outubro de 2017
sábado, 14 de outubro de 2017
HOJE
...para contrariar Álvaro de Campos...
por quê não hoje
se o sol brilha
e o verão me acalenta o coração
o momento é agora
que a tristeza se foi
e nada me dói
o entardecer vem com e a brisa fria do mar
e me penetrará
depois só sombras me encobrirão
por quê deixar livre o tempo
que não volta mais
caminhar é preciso
agora
à frente sempre à frente
para sentir o tempo corrente
e o sonho ser meu
viver é não fingir a hora imaginária
fazer a história viva
a luz e todo o brilho que traz
há-de ser hoje
por entre a brisa e o vento
e a saudade atual
de nada deixar passar
por quê não hoje
que ouço bater o coração
e sinto o pulsar do desejo
e a força que a alma tem
sim
há-de ser hoje
e não depois de amanhã
Rio de Janeiro, outubro de 2017.
terça-feira, 10 de outubro de 2017
INSISTENTE SOLIDÃO
o que mata é a solidão
não a solidão de estar só
mas a solidão da alma
não a solidão de estar só
mas a solidão da alma
não sou triste
basta o sol
para me fazer sorrir
basta o sol
para me fazer sorrir
mas o sorriso é um adeus
que pesa em mim
na longa espera
arrastada e sombria
de um momento que não sei
distante interrogo-me
bastante como um pesadelo
ou como um sonho que se perde
e não deixa rastro
nem é meu
que pesa em mim
na longa espera
arrastada e sombria
de um momento que não sei
distante interrogo-me
bastante como um pesadelo
ou como um sonho que se perde
e não deixa rastro
nem é meu
a inutilidade dói
nesse tempo sem tristezas
à espreita apenas
do indesejado evento
tão próximo quanto distante
nesse tempo sem tristezas
à espreita apenas
do indesejado evento
tão próximo quanto distante
resta a memória da vida vivida
sonhada e esquecida
pois não volta mais
sonhada e esquecida
pois não volta mais
a natureza é assim
nada do que passou é meu
apenas passou por mim
nada do que passou é meu
apenas passou por mim
foi um tempo bom
de que me lembro e não vejo mais
tempo pleno provado sentido
da esperança viva
da construção do futuro
hoje apenas sombra
uma incerteza
de que me lembro e não vejo mais
tempo pleno provado sentido
da esperança viva
da construção do futuro
hoje apenas sombra
uma incerteza
a vida entretanto não exige certezas
mas a imagem de Pasárgada
a cidade sonhada
mas a imagem de Pasárgada
a cidade sonhada
embora a estrela do poema luzindo
a vida é vazia
nada acontece exceto o sonho
de um passado ausente no presente
isso é insistente solidão
a vida é vazia
nada acontece exceto o sonho
de um passado ausente no presente
isso é insistente solidão
Rio de Janeiro, outubro de 2017.
quinta-feira, 28 de setembro de 2017
CANÇÃO DO TEMPO
é gradual sentir os anos
as noites curtas
e que os dias voem
é natural o frescor da brisa
no soprar suave
de tornar-se vento
a acelerar o tempo
assim entendo o que hoje sou
e o depois
enquanto a brisa ainda ligeira
sopra
e o vento
zune
distante
aparentemente
tudo é movimento
o voar silente do pássaro
e a comparação
entre o que é só metáfora
e o que for poesia
é feliz o tempo da constatação
é movimento a emoção
assim o sou a sós comigo
esta é a canção do tempo
e da solidão
Rio de Janeiro, setembro de 2017.
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