quinta-feira, 18 de setembro de 2025

MAR

 

mirar o mar
e delirar enquanto o vento passa
no azul instante
a soprar as velas brancas
no horizonte distante

o silêncio do invisível
é mistério
a descrever meu mundo

Rio de Janeiro, 18 de setembro de 2025

ESPERA?


dizem que ser velho e amar
nada tem de natural
tudo é breve
mas negligenciar o tempo
seria perda maior

onde estou em anos
não esqueci a vida
e vivo o vazio do nada
que passa fugaz e frio

amo o céu
mas canto o mar
que chora e rasga o silêncio de meu dia

não não é o céu
é a terra que me fascina

arrisco nela o sentimento
vago e frio do mistério
de meus dias
que vêm e vão
em vão



Rio de Janeiro, 19 de setembro de 2025

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DESTINO

  

de meu destino
esperei a liberdade

cumpro
nostálgico o que não fui

pouco tempo resta
para a liberdade
que desejei

viver a idade
nunca foi uma opção
no tempo implacável que se foi

era o meu destino

Rio de Janeiro, 18 de setembro de 2025.


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Navegando estou

 


não estou só

outras vontades

outros amores

mil estrelas

dádivas do céu

nada devo exceto o dever de dever
que me persegue
caminho
por areias molhadas de ondas salgadas


Rio de Janeiro, 18 de setembro de 2025

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

DIVAGAR DEVAGAR

 

como se conhecesse o futuro
vejo o presente no desestímulo do confronto

nada em mim me convence que deixemos sendas do sucesso
reafirmado e confirmado no passado
pela novidade em que há verdades
mas hoje o caminhar principia na incerteza
pedras existem no caminho

várias pedras a apedrejar o mundo
e ansiosos consagramos teorias
sem princípio ou fim
somos maiores do que pensamos mas não tão grandes quanto nos fazemos

temos o dever de proteger a beleza da autonomia
é a verdade do que sempre fui e trago em mim
consistência prudência na diversidade da multiplicidade
não para fazer todos iguais mas reconhecer identidades
não há certezas

nada há de verdade
apenas suposições que atravessam os caminhos
que não são dois
trazidos alguns de outros mundos
e nem por isso ilustram a necessária realidade

vencer por nós
essa é a verdade mirando o passado
para reafirmar a força que nos trouxe até onde chegamos

Rio de Janeiro, 12 de setembro de 2025
poemasinconjuntos.com.br

RETOMADA

  

nada
talvez na praia onde só o marulhar se ouve
imagina esse arrastar de águas do sem fim

sonho com o que sou na lentidão do vai e volta
um ritual conta a história
e quem me pode dizer onde está meu pensamento
busco ser consciente e experimento um ritual da natureza
que me faz lembrar hesitações
discussões estéreis
minha mente
sou quem não viveu e duvida no sono da quase manhã
apenas quero ser eu mesmo
ao despertar do sonho e do isolamento
uma nova consciência
uma razão
uma certeza
ou adivinhar o que me dará de volta a vida

Rio de Janeiro, 12 de setembro de 2025.

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

PENSIERO

 

Venta e o vento me socorre
do lamento da tristeza e da insônia
e desperta para a vida
que passageira me abandona
onde o vento não ocorre

daqui só nuvens
desenham como pó minha lembrança
do que não sei de tudo que é passado
para exigir a cura
e olhar pro alto
submisso ao que há de ser

saudoso de mim registro esse momento
não é feliz nem mesmo um tormento
e vejo azul na pétala de rosa
do que é sempre o mesmo destino
das coisas que me passam
e não desejam senão indiferença

Rio de Janeiro, 8 de setembro de 2025