segunda-feira, 20 de julho de 2009

CREDO




creio Senhor em Tua Vontade
sou dela eco sustenido
e no Teu Amor sou sustentado
minha oração é feita de silêncio
sussurra por ela a natureza
campos e um céu pleno de estrelas

perdão Senhor de minha fraqueza
de não poder tirar os olhos
do pequeno que me vejo
no descuidado sentido do universo
incapaz do Teu mistério


Rio/Roma, 2 de abril de 2005/21 de julho de 2009

VISITA DA VELHA SENHORA






São Tomé sempre quis ver
o simples ver para crer
outro dia quase vi
na pena que muito senti

para quem vida não tem
morte certamente não vem
no certo do que tem que ser

ontem ou ante-ontem
prometeu-me vir a malvada
apareceu em seguida frustrada
por ter sido mal amada
e começou a mentir

disse que era encantada
que me pouparia no fim
só não disse a danada
que ainda me quer só a mim

virá perversa e sutil
entrará na casa pequena
pela fresta da janela
atraente loura ou morena
e não será outra mas ela
entre tantas outras mil

a promessa doutro dia
trouxe muito desengano
no que virei a perder
neste jardim já deserto
de certezas cheio de enganos
onde é fácil prometer
de tristezas alegria

gosto de tudo que tenho
não gostei do que não tinha
da loura que prometia
à morena que mentia

impaciente acordei
do sono do sonho da rinha
onde todo o tempo briguei
com quem deixou de cumprir
o que estaria por vir
na lembrança ou esperança
de água doce e bonança
da vida que tenho remida
nas penas de meu querer
que claro não quero perder

Rio, julho de 2009





domingo, 19 de julho de 2009

POEIRA DE ESTRADA







foi poeira o pó da estrada
pó que voltará a ser pó
sujeito à brisa do tempo
ou mero desejo das fadas

aqui à beira do verso
procuro encontrar o poema
que nada sôe e tudo diga
como desejos de amigo

que tanto mistério não há
nas manhãs de pouco sol
ou noites de tanta luz

no lapso de meu tempo cantei
tanto amei de tanto amar
cheguei não vim pra ficar

Rio, julho de 2009



ALGUÉM NINGUÉM





tentei ser quem já não sei
mas agora até me esqueço
quanto foi vida vivida
no tempo que já deixei

tudo que hoje me importa
é não ser triste
isso é tudo
a que juntar alegria
de cada hora em minutos

venha o tempo
já não o contarei
no saldo caminharei

é clima de inverno
a chama tênue e o sopro breve
só me lembro que sonhei

tenho esse sentimento
que não é um pensamento
mas busca o brilho do sol

vou em frente
de afeto e desafetos
faço amores e meu bem
da alma que tenho breve
do resto que me pertence

os rios correm ligeiros
desaguam inevitavelmente no mar
passam sem se deixar
nem mesmo acariciar
pretendo deixá-los passar

sou quem sou
não sou mais do que alguém
nesta terra de ninguém

Rio, julho de 2009



CAMINHOS




quem sou eu que não me vejo
quem é o homem no espelho
quem serei sem meu desejo
quem se esconde dentro de mim?

por onde chego aonde
passam meus passos passam
a caminhar o caminho
donde por onde vim?

serei eu o meu reverso
perdido nestes meus versos?

Rio, julho de 2009.

ESCADA




desce
vem a mim pelas escadas
lembra que o tempo passou
e o que era não sou

Rio, julho de 2009

SEGREDO





eu não contei meu segredo
nem sei mesmo por quê
mas aqui deste degredo
só não sabe quem não lê...


Rio, julho de 2009