domingo, 25 de abril de 2010

DOR








vai poema
vai mais além de quanto sinto
segue a dizer o quanto minto

tão longe de dar pena
machuca o coração
esta canção


Rio, maio de 2010




ESPERA











tenho esperado
te espero exasperado
tenho esperado um tempo sem fim

desesperado


Rio, maio de 2010




terça-feira, 20 de abril de 2010

OCO





revirando o baú...um oco antigo

O que tinha de ser já foi, o que será o destino anunciará. Tudo no seu devido tempo aconteceu, tudo assim acontecerá e meu biógrafo (se o tiver) dirá que fui eu.

Não creiam no que diga (se o disser), pois nada ocorreu segundo plano, os fatos sucederam sem escolha e a sucessão deles foi meu fado.

Aquilo que foi por força da necessidade das coisas estabelecidas era imutável. Não poderia ter sido outro, o que não foi, para se tornar inutilmente o que poderia ter sido.

Nasci trancado no claustro de mim mesmo e nada transformei da realidade. Ela se impôs sobre meus dias, falsamente aberta para mim.

Na sombra clara que parecia dia vivi a noite iludido com a penumbra que parecia muito mais clara, fácil, a meu gosto.

Entrei na vida como quem entra num oco.

Muito a preencher no começo:

matéria do concreto, pensamentos, até mesmo sentimentos.

O terror do oco na vida está em que o espaço é imenso e as pequenas coisas acrescentam pouco. Nada se faz de grande, diz o retrospecto, nada o preenche e fica o medo.

NYC, maio de 2000

domingo, 11 de abril de 2010

CARÁTER








entre afeto e razão
pouca distinção
quando a pura graça os ilumina
e o invisível a vista vê
com a precisão de saber o que
o coração percebe e o caráter contamina

pensamento natureza
do caráter alimento

e a manhã começa sobre a pedra da razão fortalecida
pelo engenho e consciência da humana habilidade
em dizer palavras claras
para onde voa o sentimento


Rio, abril de 2010



sábado, 10 de abril de 2010

FRÁGUA









se buscar o bem é mal do amor
o tempo desigual é força natural
que afasta a dor

e o homem insensível que não sente
o vento teme o tempo

ah porque perdi-me o pensamento
que das entranhas lembra a mágoa
dos que choram a queda das montanhas
e em lágrimas vertem sentimento
do amor que se perdeu em meio à água
na dor que os abateu em desconcerto?


Rio, abril de 2010


DEPOIS DO TEMPORAL








há um ritmo na manhã que tarde floresce sobre aquela pedra
onde respira verde a vida e azul é o céu de poucos brancos
embora seja outono o fim das águas lembra o inverno
tão raro em meio à leve névoa que separa o horizonte

a vocação do mar é ser grisalho na ressaca da bebida de uns dias
lambendo a praia exausta
as energias brotam naturais na retomada da alegria
que o sol tímido prenuncia

não me perguntem a mim mas aos deuses
por que a eternidade da beleza também mata...


Rio, abril de 2010 [depois do temporal]




sexta-feira, 9 de abril de 2010

TEMPORAL










finalmente o sol
recapturado
e o céu onde flutuam os anjos
infinitamente azul

a alva praia renovada
a gente revivida
e o sorriso

as águas correram para o mar
deixando atrás o que devemos recordar
para aprender
no rastro da destruição

e a natureza atravessa o caminho
em sua inteira liberdade

a vida é filha da necessidade
e o homem parte
que a deve compreender

aqui não nos prendem mais coisas que a vida
diz o Poeta
enquanto a chuva arrefece
radiante
uma nova manhã se oferece...

Rio, 9 de abril de 2010