quinta-feira, 6 de maio de 2010

I'M YOURS



A dor que minha alma sente
Não [n]a sabe toda gente [mote]



se é estranho o amor
como o quis nosso Bardo
deixo aqui os meus versos
para pensar o reverso
de lhe suportar o fardo
e tentar do amor-tormento
extrair o meu momento
que só sabe quem o sente
na dor de tornar-se gente

triste n'alma é traçar linhas
limites do amor não minto
nessa dor que finjo ou sinto
p'ra que minh' alma escondida
não se torne percebida
conforme ame ou não ame
ou viva triste ou contente
nas palavras dessa gente

tudo ou nada vencer posso
no sucesso ou no insucesso
de viver o amor por bem
que é o que espero também
não duvidais que sou vosso [I'm yours]

[que me perdoe Camões]


Rio, maio de 2010

segunda-feira, 3 de maio de 2010

DE UMA FOTO DE MARTA VAZ







do barco de nada ir

navega o dever de navegar

do ramo seco de sentir

eclode verde o viver


azul que te quero mar

claro azul de amar

no ramo seco o barco

o verde e a vida

percebida



Sao Paulo, maio de 2010






EU E O POEMA







colho o poema nos escolhos de mim mesmo
sobrevivendo o tempo
redefinindo a vida

vive o poema da certeza de mim mesmo
de que estou e nao passei

o poema sou eu mesmo
que a mim tive
para sentir

o poema sera eternidade no sempre
que me sente o que sou
e a consciencia de mim mesmo

o poema sera outro
se sentido por outro que o busque
e o ache nos escolhos de si mesmo

o poema sera outro
na leitura do futuro

o poema sao palavras
e o sentido de quem le


Rio, maio de 2010



VIDA







viceja sobre a pedra
qual verde que a rompe
o sentido de quem passou no tempo



Rio, abril de 2010




BURACO NEGRO







buraco negro da eternidade
o tempo futuro
nao conta idade


Rio, abril de 2010




quarta-feira, 28 de abril de 2010

SEIXO







o tempo passado
como seixo rolado
perde arestas


Rio, abril de 2010




TEMPO DE PASSAR O TEMPO







quando meus sentidos voltaram
senti que era tempo
de não mais deixar passar o tempo


Rio, madrugada de 28 de abril de 2010