terça-feira, 7 de junho de 2011

O POEMA [recordando...]



De meu primeiro livro, 
"Nel Mezzo del Cammin",
Editora Expressão e Cultura, 2001.

I
[de oito partes]



Será importante saber como nasce o poema?
A pergunta é a dúvida, 
com ela, uma certeza, 
a de que a pedra, a água que flui e o pássaro são vida
que se compõe com a beleza.
Pessoa, em Caieiro,
via coisas e seres
e descobria a beleza,
sem falar da natureza
que como existência não há
por falta de consciência
de que a pedra, montes e água 
são partes que se entretecem.
Alberto, ah! que esperto, percebeu cada coisa
e descobriu a beleza
nelas.



segunda-feira, 6 de junho de 2011

MERDA ENTÃO






tonitroantes
como um vulcão



letras sons
vogais consoantes
toantes destoantes
dissonantes


explode o fogo
lava
pedras em profusão


rochas contra palavras 
cinzas testemunham o céu
azul azul


há preço no poema
que não é lido?


a palavra é pedra
letras
sons
cinza sobre azul


o que arde é lava
cinza
que escurece o poema


merda então!




Rio, junho de 2011











domingo, 5 de junho de 2011

SEM PALAVRAS





eu te direi amor sem te dizer
porque sei onde moram as palavras
e o tanto que escondem
das aparências que desejam renegar


negar não nego
que não tenho poder para anular
humanos modos
de quem não é senão meu "alter ego"


mas te queria canção
talvez em forma de poesia
que vibrasse assim como oração 


e no beijo murmurado ao pé do ouvido
tudo já faria mais sentido
que nem palavras eu usaria para amar




Rio, junho de 2011



quarta-feira, 1 de junho de 2011

BEIJO LOUCO









de tanto amor e beijo apaixonado
deixei-me sucumbir
como se cada beijo me fosse dado último
como se não houvesse outro para dar


o tempo foi passando
rodou tanto que cheguei aqui
foram tantos tantos escolhi
que os lábios secos
já nem beijos dão


mas o teu beijo tão apaixonado
vale a vida toda
vale os beijos que já consumi
vem vem sem hesitar
dar-me tua boca
por teu desejo sempre muito louca
vem que te quero amar


vem
porque se não vier
vou te ver aí


Rio, maio de 2011















PESCADOR





fui pescador 
tudo era claro


muito gozei
naquilo que pequei
muito esperei
em quem eu muito amei


nunca dormi sobre o abismo
nem por amor nem por pecador
pequei e fui pescado
tudo ganhei
tudo perdi
mas hoje sei
eu fui bem amado


Rio, maio de 2011



PRECIPÍCIO



‎[improviso] Para o poeta Filipe Couto




nenhum amor beira o precipício
nem um precipício vale tanto amor
nunca perguntei porque amava
nunca amei sem me perguntar


na minha vida ainda inacabada
o amor chegou
o amor partiu
por pontes altas sempre no abismo
o precipício nunca aconteceu...




Rio, maio de 2011




Nota: poemeto de improviso para refletir sobre a bela letra de 






Só Amor

"Se é amor o que faz sentar
à beira do precipício
e esperar, como pescador,

sem saber como, nem quando,
nem donde virá teu sorriso;

então, é amor

(só amor)o que sinto."





Terceira idéia [de novo, de minha lavra, ainda atado ao que diz Filipe]:



PESCADOR



fui pescador 
tudo era claro

muito gozei
naquilo que pequei
muito esperei
em quem eu muito amei

nunca dormi sobre o abismo
nem por amor nem por pecador
pequei e fui pescado
tudo ganhei
tudo perdi
mas hoje sei
eu fui bem amado

Rio, maio de 2011








terça-feira, 31 de maio de 2011

MUCH ADO ABOUT NOTHING...





é morte em vida o amor pleno de doçura  
cheio de amargor
nesse tu e eu sem qualquer memória
a romper o fio
desse ribeiro tenro que se torna rio
e inventar a dor


bate a água clara em recantos duros
nesse navegar de encantos quase todos puros
a perder sentido ímpeto e história
onde urgente é permanecer 


mas da abstrata dor sei fazer prazer
e o amor cantar onde não é simples ser
só 
quando te ausentas
e a doçura de teus olhos já não me sustenta


doce e rude levarei sem ti o toque da lembrança
da claridade em obscura sombra
no que vazio estou cheio de esperança ...


Rio, maio de 2011.