não parto
como às vezes parece acontecer
mas enquanto o momento não vem
gozo o prazer de existir
assim penso em tudo que vi
e sinto intensamente o que vivi
talvez seja essa a beleza
a persistentemente florescer
entre nascer e morrer
Rio, outubro de 2012.
"Porém, pera cantar de vosso gesto a composição alta e milagrosa, aqui falta saber, engenho e arte." Luís de Camões ... assim encontrareis aqui palavras magoadas a tornar o fogo frio e dar descanso a minha alma condenada ...
domingo, 21 de outubro de 2012
sábado, 20 de outubro de 2012
UM NOVO DIA
entre o sono e a realidade
desperto
é manhã
sob azul
desperto
é manhã
sob azul
a distância toca o mar
em sonho ainda
a sensação de reviver
o tempo finito e o tempo sem fim
em sonho ainda
a sensação de reviver
o tempo finito e o tempo sem fim
tanto por fazer
todo o prazer
ao inútil dever
nesse enleio lembro vagamente tudo
todo o prazer
ao inútil dever
nesse enleio lembro vagamente tudo
sonho com o sol
para aquecer
minha solidão
e tenho um dia inteiro ainda
para viver
para aquecer
minha solidão
e tenho um dia inteiro ainda
para viver
Rio, outubro de 2012
domingo, 14 de outubro de 2012
PALAVRAS [moto contínuo]
nem sei o que pensei ao escrever
palavras como um rio
passam sem deixar história
seixos a rolar
mas aí pensei palavras formam frases
frases são quando não mentem
e dizem o que pensamos mesmo sem pensar
à minha frente passam velas
longe
velas que não querem ancorar
e passam brancas e belas
mais que frases
são pensamentos a voar
o ar a imensidão do mar
e tudo lembra escrever
um poema uma palavra
apenas o que tentei
não me farão esquecer a pena
o sono que me revela o sonho
como areia a se desfazer na praia
e desmaiar palavras em um poema
um gesto apenas de amar
[escreveria sem mesmo hesitar horas e horas sem parar que palavras atraem palavras mesmo que nada tenham a dizer]
Rio, outubro de 2012
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
ILUSÀO
saúdo a paz negra da noite
que atropela a realidade
em sonhos vivos
de pura inconsciência
alguns meditam
talvez seja verdade
meditar começa no real
difícil de entender
noite escura em que não penso
no obscuro sonho contra o sentimento
mesquinho distorções do falso sorrateiro
amo a noite sem lua sem estrelas só o negro
manto que me toma inteiro
e cobre o mundo quem sabe verdadeiro
Rio, setembro de 2012.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
VA PENSIERO
voa pensamento vai
tens ainda que sonhar
como um notânbulo que acordasse
para viver o tempo que lhe falta
voa livre sente o vento
navega a vida
sonha o sonho que vivestes
deixa invisíveis escolhos no caminho
voa vence o tempo e a vida decadente
nisso que afinal é um regresso [1]
a um futuro imaginado
vai e vence o imperfeito do progresso
enche-te de esperança
entende claramente quem te cerca
podes ainda inflamar muitos amores [2]
podes tudo no ideal sonhado
fiel a ti e à tua estrada
sonha que outrora inda é agora
Rio, setembro de 2012.
[1] Fernando Pessoa , a Sá Carneiro
[2] Álvares de Azevedo, Lira dos Vinte Anos
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
DÚVIDA EXISTENCIAL
é remota a memória
abstrata das razões
onde não há fato mas história
sem diálogo remotas ilusões
tudo é incerto
nem a lembrança
nem textos para interpretação
precisam fogos fátuos
e querer lembrar maltrata
porque o tempo passa
e nada se conclui
a distância os encantos mata
os sonhos ultrapassa
assim não sou nem sei mesmo se fui
Rio, setembro de 2012.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
ENCONTRO DE UMA VELHA GUARDA
lembrança de amigos a propósito de um encontro
em outubro
homens que foram meninos
a lembrar tudo que foi
tudo que deixou de ser
e ainda dói
assim como um renascer
às vésperas de anoitecer
Rio, setembro de 2012.
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