domingo, 6 de janeiro de 2013

JOGO ENTRE PALAVRAS


I.
se não falo de flores é porque são raras
num mundo quase de pedra
e não tenho nada apenas vida
que onde se planta medra
II.
não sou eterno pensei
que fazer do que de mim sobra
se de sobra pouca obra
resta do que passei
III.
que dizer quando se vai morrendo
o mundo em que vivi vivendo
ora pois que estamos a falar
do sonho ainda onde se pode amar
IV
são flores cada lembrança
para não falar da s'perança
é pedra o que não é verde
que a queimar triste se perde
V.
a ilusão que ainda tenho
desprende-se do que sou
no amor à vida e no sonho
que nos lábios não se calou


Rio, janeiro de 2012




SONHO




que sonhos tenho perguntei-me
de sonho tenho a vida contestei-me

Rio, janeiro de 2013
















sábado, 5 de janeiro de 2013

ANO NOVO



o barco navega o calendário onde sopram os ventos

sob a rosa desgovernada dos pontos cardeais

no primeiro dia de esperanças esfumadas

não sou diverso do diverso que a cada dia sou

ao fim e ao cabo à beira mar espero

o derramar do que tem de ser o tempo predestinado 


Rio de Janeiro, 2 de janeiro de 2013



segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

2013 bis


e o ano se faz pedra
que "nada alí há por desvendar"
no espaço adiante há portas
e a colina verde a galgar
e lá pelo fim do dia
exaltaremos a alegria
abertos para o mar

2013 ao largo
tudo por navegar


Rio, 31 de dezembro de 2012



domingo, 30 de dezembro de 2012

2013



é de esperança a luz que me ilumina
difusamente  verde
azul no sonho
onde furtivo falso balança
o mar em que me vejo

escuto o vento nesta noite escura
hesito entre o que me espera o dia
pressinto-o só a murmurar

nada devo às cores
são sons que meus olhos sentem
mas incertamente cantam

é irreal este poema


Rio, ante-véspera de 2013







sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

REFLEXOS


1.
lá pelo fundo da memória
escavei a lembrança de um tempo
2. 
a luz que ilumina esse tempo
sucumbe sob o vento
3. 
se o inverno não supõe a primavera
resta pouco à espera
4.
um corpo nu despidas as vergonhas
é tudo que o desejo ainda sonha
5. 
entretanto

saber que a folhagem ainda verde
acaricia a sombra fria
outro tempo pressinto que anuncia


Rio, dezembro de 2012





TERCETOS SOB O SOL


I
sol quente em areia branca
mar azul
verão
II
barracas em mil cores
sol dourado
corpos nus
III
Rio fervente
ondas derramam enseadas 
verde nas encostas
IV
corpos malhados
douram sexo
sensualmente molhados
V
nuvens de verão
poente vermelho
incendeia o céu

declaração em data incerta

Rio de mil amores 
dezembro de 2012
te amo