terça-feira, 5 de maio de 2015

AUTOBIOGRAFIA




do sono profundo em que nasci
saltou a realidade sem querer
e foi levada pelo vento
impreciso alento a soprar o sonho
que me fez ser quem sou

Rio, maio de 2015

domingo, 26 de abril de 2015

INDAGAÇÃO




quem sou eu que vivo aqui
e um pouco em toda parte
sempre em fuga do instante
em que a indesejada me encontrará
quem sou no potencial do nada
no dia ou noite já calada
serei eu ou outro 
um para ser outro para descrer
quem sou?

Rio, abril de 2015

INSTANTE




não morri nem deixei de viver
a teia entre  ilha e continente
em emoções onde confirmei 
que o universo não me reconheceu

ouvir o vento olhar o movimento
do absurdo que parece
o passar do tempo de instante 
a instantes tantos e distantes

verão inverno que outono
é mais sensação
sem nova primavera

quero a quietude o sossego 
de deixar acontecer o ciclo dado
sem interferir em paz morrer enfim 

Rio, abril de 2015


sábado, 11 de abril de 2015

ETERNIDADE




o sonho interpôs-se para representar a vida
e a beleza dele fez-se realidade em pleno sono
e adormeceu em mim por todo o tempo
por isso sou quem sou e nem um outro
sabe que minha tristeza é alegria
e meu prazo é o despertar da eternidade

a cada dia um novo sol brilha no horizonte
e o nascente não é prenúncio do poente
pois dura cada instante
ah se eu soubesse desde sempre
que o tempo é agora e não demora
viveria hoje e sempre a eternidade

mas sei que tudo foi um sorriso
que para mim se abriu
na consciência de que a vida é eterna
e terna é a sensação sutil de bem vivê-la

Rio, abri de 2015.

domingo, 5 de abril de 2015

UM SÓ?




não ouço vozes
silencio
no lapso impreciso
em que falo

sou dois ou três
em um sozinho
seria mais 
se me soltasse

pudesse ser o que não sou
nem sei a escuridão
sob o claro sol
despertaria de sono em sonho

tanto a dizer
como calar
vozes da noite escura
talvez outros ouvirão

no interstício de dois a três
ouço falar
enquanto só
não sei viver

Rio, abril de 2015


sábado, 4 de abril de 2015

DESCONSERTO




se escuto nenhuma voz
ouço o tempo
uma revolta que reaparece
e a voz que transmite
o que há muito fenesce

não há mágoa 
mas saudade do sonho 
e da água que passa 

tenho na memória lembrança
todas elas de esperança
tudo velado tudo acabado
passado o tempo de criança

do tempo que se foi
resta a riqueza do que será
esqueço tudo pois
para esperar amanhã

Rio, abril de 2015


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

VERDADE-MENTIRA



é outro que fala
não é comigo
tudo que digo

há uma chave
com fechadura
diria Borges
escrevo de caradura

se eu viver
nada é verdade
na minha idade
podes crer

Rio, janeiro de 2015.