quinta-feira, 23 de maio de 2024

MAGIA

 


é magia a vida

consumindo o futuro no sem tempo

indiferentes

deixamos passar o luar

que se reflete no mar

beleza que não morre em mim

é metafísica

como o sol a morrer cada dia

e renascer

 

penso e me encanto

 

Rio de Janeiro, 23 de maio de 2024


sexta-feira, 3 de maio de 2024

PERPLEXIDADE

 


nada sei da vida

nem do sentimento 

nem do pensamento perdido

não      

ninguém percebe nesse silêncio

a solidão da permanente indagação


consciência do inconsciente

o tempo passou

nem o vivi

nem o senti

resta a memória do que não tenho de lembrar


amar 

amei talvez incompleto

um sentimento  

se eu tivesse palavras p´ra dizê-lo

pela grandeza do amor me calaria


não sei de que maneira resumir meus dias

nem seja suposto fazer

falta-me o ânimo de sentir e pensar

mais não sei (afinal) o que dizer


Rio de Janeiro, 3 de maio de 2024.

terça-feira, 9 de abril de 2024

VENTOS

 


que os ventos que nos levam 

tragam a ventura do presente


Rio, 9 de abril de 2024.


sexta-feira, 5 de abril de 2024

INDAGAÇÃO

 


nasci porque sonhei viver
como um entendimento pessoal
intransferível e vazio
tal que o espaço sideral

existo e resisto
o sonho persiste
ainda vazio e intransferível
impessoal
e o mistério de quem sou

nada sei de mim aos oitenta e três
nada
ainda que com toda estranheza
pleno de incerteza
sou apenas o que fui
em sonho

quem serei

Rio de Janeiro, 05 de abril de 2024.

quinta-feira, 28 de março de 2024

CANTO

 


canto o amor

a quem quiser a minha dor

ao fim da vida que me é devida


uma juventude fugidia 

em mim resiste

à decadência triste


tudo passa

o amor persiste


Rio de Janeiro, 28 de março de 2024

quarta-feira, 27 de março de 2024

PODER

 


Se eu nada puder
quando não puder
talvez me valha da sabedoria
de que não sou essencial ao mundo
cuja realidade é maior
muito maior do que o que sinto
e penso talvez quando estou sozinho
no passado pensei no futuro e tenho o presente
que já será o passado daquele futuro
no futuro ingrato
nada esqueço entretanto do que me fez feliz
mas não me atenho à força do destino
que me dará o que serei
e nada muda porque nada posso
minha vida é o que é
e sei que não importo ao mundo
Rio de Janeiro, 27 de março de 2024

sexta-feira, 15 de março de 2024

FINITO NO INFINITO

 


consciente do tempo já passado
lembro a lembrança invertida
do quanto na contemplação a vida passa
embora vã na vastidão perdida
o sol desperta manhãs de liberdade
na momentânea delícia do dia que começa
minuto que derradeiro é ameaça
do passar fatal de um dia inteiro
há no passado o futuro que virá
e já passou
resta o lugar em que estou
menino a homem pensante já maduro
sinto inútil o sentido do finito
finjo o pensamento no infinito
e deixo de pensar e já esqueço
o que passou
e dele
já não padeço
Rio de Janeiro, 15 de março de 2024.