quinta-feira, 1 de março de 2012

AMIGOS



a manhã acompanha o sol
e segue a terra
rodopiando 
no vazio sideral 
é impossível mudar


a noite se foi
não se foram as convicções
os amigos espero encontrar
sempre no mesmo lugar


eu precisava dormir


Rio, fevereiro de 2012.



  

CONVICÇÕES



tenho amigos e convicções 
de uns sou diverso
com outros converso
mas a noite é longa 
eu preciso dormir




Rio, fevereiro de 2012.


  

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

PALAVRAS AO VENTO



há perigo em navegar
quando me arrisco em palavras
que a brisa traz e o vento leva
beliscando a solidão


se saio ao mar
sempre sossobro
sem conseguir navegar


a intuição é um olhar
aqui da janela de casa
perco-me a imaginar
o que haverá depois das Cagarras


há lá certamente
vida inteligente
que não encontro mais cá


mas 


em um outro momento
penso
ops! esqueci-me
que estou do lado de cá
faz-se aí o tormento
pois aqui inteligência não há


consequentemente


ponho-me a cantar
o Rio as praias e o mar
vejo os rapazes ao sol
e as meninas [ai quase nuas]
que os querem amar





a saudade me faz arriscar
palavras de alegria
de apenas lembrar
que no tempo tive o meu dia
de pegar meninas nas ruas

assim


se canto me arrisco e navego
antes de por-me a chorar


Rio, fevereiro de 2012.




MISTÉRIO [confissão]



vão-se os dias vão-se horas
e sinto tua presença
ainda que te demores
fisicamente a mostrar-te


sei que estás comigo
por toda parte
onde te procuro
encontro-te em mim


às noites sinto a memória dos dias
no dia anseio o sonho da noite
se fosses mar eu te ouviria


sei que és grande no meu amor
sei que me amas
de coração e vontade sou teu


Rio, fevereiro de 2012. 




domingo, 26 de fevereiro de 2012

NAVEGAR É O PERIGO



amamos o que desejamos não o que temos
sonhos inacabados
a tocar a fantasia dos mais puros ideais
do horizonte sem fim
do céu azul de verão
da neve nas montanhas
da chuva na semeadura
da fartura na colheita
do verso não escrito
do entendimento entre os homens
do amor que move o mundo


a glória e a riqueza desse mundo entretanto nada dizem
apenas entontecem
para destruir o gosto de sentir


não direi o que não posso
mas entre o céu e a terra
é mais rica a fantasia

só o desejo vai além


deixo-te desvendar
o que minh'alma toca
em sua inércia de pensar 
e seu desejo de amar


que céu 
que horizonte sem fim
que amor que move o mundo
vale é o amor de seguir rastros de teu barco
no risco de perder-te em mar que os desfaz


miragem solitária ilha 
nesse mar onde persigo
o céu de te encontrar


navegar é preciso diz o bardo
direi com ele também
que navegar é o perigo
de qualquer dia chegar
onde não quero aportar


não deixarei de remar
por ti remarei contra a corrente
a cantar
a minha ânsia de amar

nada mais direi 
nada tenho a declarar


Rio, fevereiro de 2012.




sábado, 25 de fevereiro de 2012

FOME [improviso]

"a fome é uma canção silenciosa
a sair pelos olhos"



...a fome Nydia são lágrimas de exaustão
são olhos sem brilho
é grito do coração
a fome é flagelo
de desumana feição
é horror da servidão
o silêncio que ouves é grito
a canção oração...

Rio,  fevereiro de 2012. 




MENSAGENS AO MAR



sobre as ondas do mar flutua a lembrança
quebrando na areia grisalha
o choro da saudade 
para voltar em nova onda que vem
   
o vem e vai é meu olhar  
do oceano nesse vai e vem


mensagens perdidas no fundo 
nada dizem por não saber aflorar
são palavras  
no verde que arrebenta cinzento
são o caos aparente do vem
que se arrepende ao chegar 
e logo vai
ficam como memória no fundo 
esperando que o tempo as faça chegar


como o poema repousam 
até eclodir em uma forma de pensar 
e sentir
mesmo que não queiram desvendar
o segredo mais íntimo
daquele que é
o bilhete de amor
ou desespero da dor


alma que flutua no mar
soprada ao vento a navegar
sem rumo na solidão
naufragada sob águas azuis
verdes ainda para à terra voltar


não morre inacabado o que resta
onde o segredo sussurra
na brisa rasante 
ouvido pelo lobo do mar
quem os guarda
para escutá-lo confiante


a música que vem de longe desvelada canta
o argonauta que aguça os sentidos
para conhecer os segredos de quem já viveu


não interrogues o segredo
é amor que não morreu
e desperta ao sol da manhã    
é a dor que abate quem vive
na ilusão de estar vivo em plena solidão  
não perguntes
nada perguntes
amor e dor são parceiros 
a esperar uma praia branca 
para confundir e derramar-se


quem sabe essa mensagem perdida
na água a chorar o tempo que passa 
[e se perde] nesse vai-e-vem
quem sabe a mensagem me exorte
a cantar
essa música esse canto essa onda
a marulhar


Rio, fevereiro de 2012.