quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

REFLEXÕES RÁPIDAS



sou o que pareço
o que fui conheço

não sou como as estrelas que se deixam mirar
sou menor sou muito menos
escondo-me do olhar

ser basta para o que sou
não quero a verdade
quero a vida

Rio, janeiro de 2013


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

RAZÃO



jovem instalei-me em minha cabeça
sem tristeza
nunca senti com o coração

senti o pensamento

de ser homem e o fui

mas a beleza 

como a percebestes
perguntar-me-ão

como um raciocínio

sem traço de união

encantei-me com o mar...
fui ao mar
admirei o sol
expus-me ao sol
excluí sempre o coração

mas para amar...

amei

amei a vida amei a aurora

amei a praia amei o sol
amei o mundo e sua imperfeição
o nascer de tudo
o mistério e a questão
amei rios e rosas
a música a poesia e a prosa
a neve fria 
maria 
a liberdade
o céu 
o espaço e o poente
presentes e ausentes
fascinante tudo 
amei sem coração


Rio, janeiro de 2013




domingo, 13 de janeiro de 2013

UNFINISHED MOMENT



sopra o vento frio 
distante longo e dolente
e me abandona solitário 
a me inspirar o verso
reflexo fugaz do que há no sentimento

sinto difuso o mundo
entre chamas
uma loucura sã
da angústia de compreender
depois das trevas e do vento 

não me sinto aqui
lentas horas 
isolado e absurdo
cinza
na tarde ensimesmada
a perceber 
tristeza inteira de um instante

à distância  o pensamento reduz 
uma forma de desdém
a descerrar sonhos
para tecer
um segundo plano de outono

olhos cerrados ouço o vento
que não quer parar
no escurecer
ouço o som que se alonga
atrás de sombras entre frestas
enquanto se esconde a lua

faz-se então a angústia
ansiosa e inquieta

Rio, janeiro de 2013.






ANGÚSTIA DA PALAVRA [III]

vejo-a logo ali
a um átimo de tempo
entre mim e ela
só a vertigem
dela própria
solta
livre
ígnea
ao vento
voa a palavra
e não a aprisiono
ouço-lhe distante o eco
poeeetá poeta poet poe pooo

Rio, janeiro de 2013



sábado, 12 de janeiro de 2013

ANGÚSTIA DA PALAVRA [II]


deixo falar as palavras
por si só encontrarão seu destino
não há porque intervir na natureza delas

sempre me pergunto quê fazer diante da encruzilhada
terão elas a mesma angústia 
ou não hesitam

o mesmo me pergunto diante de um espelho
sou eu aqui ou sou o outro
elas não se indagam

fácil é concluir que a angústia não lhes pertence
mas em mim revela-se
a cada palavra

as palavras têm sabor de tempo
diria o poeta
são frutos do olvido e do conhecimento

Rio, janeiro de 2013.


ANGÚSTIA DA PALAVRA


sempre que tenho de escolher palavras
temo que não sejam exatas
ou que falem demais
hesito cada vez
porque também dirão quem sou
e não quero revelar-me

há palavras que soam bem
outras que advinham
muitas encaixam-se exatamente
em frases feitas
mas não posso ser enigmático
num poema

que palavras
há-que não supor
nada pensar
nem definir 
elas sabem seus caminhos
ou se deixam levar
ao vento


Rio, janeiro de 2013



DÚVIDAS


pensando na Symborska

...prefiro o mito à verdade
amo o sonho odeio o real
sou prisioneiro em plena liberdade...


Rio, janeiro de 2013