quarta-feira, 5 de junho de 2024

MEU MAR

 


sou o resultado de quem foi e voltou
tal como se não tivesse ido
diante de uma janela por onde vejo o mar
um mar azul
e o horizonte distante
tão regular quanto o que sempre vi
aqui
igual em qualquer lugar
como um sonho de repetição
que me tocou o coração
a cada vez que o vi
e a impressão de nunca sair
do mesmo lugar
medíocre condição de um poeta
para quem o lugar se repete
mas não a emoção
que é sempre saudade
deste mar
aqui
Rio de Janeiro do meu mar em junho de 2024.

terça-feira, 4 de junho de 2024

VIAGEM

 


viajei a vida toda

ir e voltar para algum lugar

nunca o meu

alhures

um certo cansaço

uma certa náusea

a certeza hoje de que nunca fui

sou quem não foi

sou eu diante do mar

que me expõe o horizonte

azul

claro azul de nenhum lugar


Rio de Janeiro, aqui, de onde nunca saí, junho de 2024. 

quinta-feira, 30 de maio de 2024

O QUE VIRÁ

 


o passado passou

a angústia projetou um futuro

de um presente que já foi

o tempo venta

 

os caminhos são outros

novas sombras

de um mesmo sol

continuadamente

nascido no ocidente

caminhando a oriente

 

tempo vão (fugit?)

espera permanente

do que virá

será outro

não eu

quem estará


Rio de Janeiro, ontem, hoje, amanhã, maio de 2024.


quinta-feira, 23 de maio de 2024

MAGIA

 


é magia a vida

consumindo o futuro no sem tempo

indiferentes

deixamos passar o luar

que se reflete no mar

beleza que não morre em mim

é metafísica

como o sol a morrer cada dia

e renascer

 

penso e me encanto

 

Rio de Janeiro, 23 de maio de 2024


sexta-feira, 3 de maio de 2024

PERPLEXIDADE

 


nada sei da vida

nem do sentimento 

nem do pensamento perdido

não      

ninguém percebe nesse silêncio

a solidão da permanente indagação


consciência do inconsciente

o tempo passou

nem o vivi

nem o senti

resta a memória do que não tenho de lembrar


amar 

amei talvez incompleto

um sentimento  

se eu tivesse palavras p´ra dizê-lo

pela grandeza do amor me calaria


não sei de que maneira resumir meus dias

nem seja suposto fazer

falta-me o ânimo de sentir e pensar

mais não sei (afinal) o que dizer


Rio de Janeiro, 3 de maio de 2024.

terça-feira, 9 de abril de 2024

VENTOS

 


que os ventos que nos levam 

tragam a ventura do presente


Rio, 9 de abril de 2024.


sexta-feira, 5 de abril de 2024

INDAGAÇÃO

 


nasci porque sonhei viver
como um entendimento pessoal
intransferível e vazio
tal que o espaço sideral

existo e resisto
o sonho persiste
ainda vazio e intransferível
impessoal
e o mistério de quem sou

nada sei de mim aos oitenta e três
nada
ainda que com toda estranheza
pleno de incerteza
sou apenas o que fui
em sonho

quem serei

Rio de Janeiro, 05 de abril de 2024.