sei que o tempo passou
e o que sei é lembrar tudo que deixei
de viver de amar e sonhar
é breve o tempo
quando se o deixa passar
implacável insiste em ventar
mas viver e amar
será jamais deixar de sonhar
Rio de Janeiro, 21 de junho de 2024
"Porém, pera cantar de vosso gesto a composição alta e milagrosa, aqui falta saber, engenho e arte." Luís de Camões ... assim encontrareis aqui palavras magoadas a tornar o fogo frio e dar descanso a minha alma condenada ...
sei que o tempo passou
e o que sei é lembrar tudo que deixei
de viver de amar e sonhar
é breve o tempo
quando se o deixa passar
implacável insiste em ventar
mas viver e amar
será jamais deixar de sonhar
Rio de Janeiro, 21 de junho de 2024
palavras de repente surgem do nada
de um sonho
da vista do meu mar
do cansaço de procurar
às vezes para não ler
ficção de entendimento que se dedilham
como a querer inventar
uma emoção
os clássicos discutiam mitos
e deles retiravam o eco
das repetições
que não me tocam
nem ilustram frases
por soar imperfeitos
ou perfeitamente fora do lugar
tornei-me assim quem escreve sem amor
na perversão da mesma realidade
que a outros inspirou
mas sei amar
o exercício de pensar
e da angústia de ser
encontro as circunstâncias de viver
assim será no encontro derradeiro
da indesejada
terei palavras
ou impensado passarei
levando comigo minha história
para concluir
ao libertar-me de mim
que a tudo e a cada coisa amei
bem que quase todos que se deixaram amar
Rio de Janeiro, 5 de junho de 2024.
viajei a vida toda
ir e voltar para algum lugar
nunca o meu
alhures
um certo cansaço
uma certa náusea
a certeza hoje de que nunca fui
sou quem não foi
sou eu diante do mar
que me expõe o horizonte
azul
claro azul de nenhum lugar
Rio de Janeiro, aqui, de onde nunca saí, junho de 2024.
o passado
passou
a angústia projetou
um futuro
de um
presente que já foi
o tempo
venta
os caminhos
são outros
novas
sombras
de um mesmo
sol
continuadamente
nascido no
ocidente
caminhando a
oriente
tempo vão (fugit?)
espera
permanente
do que virá
será outro
não eu
quem estará
Rio de Janeiro, ontem, hoje, amanhã, maio de 2024.
é magia a vida
consumindo o futuro no sem tempo
indiferentes
deixamos passar o luar
que se reflete no mar
beleza que não morre em mim
é metafísica
como o sol a morrer cada dia
e renascer
penso e me encanto
Rio de Janeiro, 23 de maio de 2024
nada sei da vida
nem do sentimento
nem do pensamento perdido
não
ninguém percebe nesse silêncio
a solidão da permanente indagação
consciência do inconsciente
o tempo passou
nem o vivi
nem o senti
resta a memória do que não tenho de lembrar
amar
amei talvez incompleto
um sentimento
se eu tivesse palavras p´ra dizê-lo
pela grandeza do amor me calaria
não sei de que maneira resumir meus dias
nem seja suposto fazer
falta-me o ânimo de sentir e pensar
mais não sei (afinal) o que dizer
Rio de Janeiro, 3 de maio de 2024.