sábado, 22 de junho de 2024

SONHO

 


sei que o tempo passou

e o que sei é lembrar tudo que deixei

de viver de amar e sonhar


é breve o tempo

quando se o deixa passar

implacável insiste em ventar

mas viver e amar

será jamais deixar de sonhar


Rio de Janeiro, 21 de junho de 2024



quarta-feira, 5 de junho de 2024

PALAVRAS

 


palavras de repente surgem do nada

de um sonho

da vista do meu mar

do cansaço de procurar

às vezes para não ler

ficção de entendimento que se dedilham

como a querer inventar

uma emoção


os clássicos discutiam mitos

e deles retiravam o eco

das repetições

que não me tocam

nem ilustram frases 

por soar imperfeitos  

ou perfeitamente fora do lugar


tornei-me assim quem escreve sem amor

na perversão da mesma realidade

que a outros inspirou

mas sei amar

o exercício de pensar

e da angústia de ser

encontro as circunstâncias de viver


assim será no encontro derradeiro

da indesejada 

terei palavras

ou impensado passarei

levando comigo minha história

para concluir 

ao libertar-me de mim

que a tudo e a cada coisa amei

bem que quase todos que se deixaram amar


Rio de Janeiro, 5 de junho de 2024.

  



MEU MAR

 


sou o resultado de quem foi e voltou
tal como se não tivesse ido
diante de uma janela por onde vejo o mar
um mar azul
e o horizonte distante
tão regular quanto o que sempre vi
aqui
igual em qualquer lugar
como um sonho de repetição
que me tocou o coração
a cada vez que o vi
e a impressão de nunca sair
do mesmo lugar
medíocre condição de um poeta
para quem o lugar se repete
mas não a emoção
que é sempre saudade
deste mar
aqui
Rio de Janeiro do meu mar em junho de 2024.

terça-feira, 4 de junho de 2024

VIAGEM

 


viajei a vida toda

ir e voltar para algum lugar

nunca o meu

alhures

um certo cansaço

uma certa náusea

a certeza hoje de que nunca fui

sou quem não foi

sou eu diante do mar

que me expõe o horizonte

azul

claro azul de nenhum lugar


Rio de Janeiro, aqui, de onde nunca saí, junho de 2024. 

quinta-feira, 30 de maio de 2024

O QUE VIRÁ

 


o passado passou

a angústia projetou um futuro

de um presente que já foi

o tempo venta

 

os caminhos são outros

novas sombras

de um mesmo sol

continuadamente

nascido no ocidente

caminhando a oriente

 

tempo vão (fugit?)

espera permanente

do que virá

será outro

não eu

quem estará


Rio de Janeiro, ontem, hoje, amanhã, maio de 2024.


quinta-feira, 23 de maio de 2024

MAGIA

 


é magia a vida

consumindo o futuro no sem tempo

indiferentes

deixamos passar o luar

que se reflete no mar

beleza que não morre em mim

é metafísica

como o sol a morrer cada dia

e renascer

 

penso e me encanto

 

Rio de Janeiro, 23 de maio de 2024


sexta-feira, 3 de maio de 2024

PERPLEXIDADE

 


nada sei da vida

nem do sentimento 

nem do pensamento perdido

não      

ninguém percebe nesse silêncio

a solidão da permanente indagação


consciência do inconsciente

o tempo passou

nem o vivi

nem o senti

resta a memória do que não tenho de lembrar


amar 

amei talvez incompleto

um sentimento  

se eu tivesse palavras p´ra dizê-lo

pela grandeza do amor me calaria


não sei de que maneira resumir meus dias

nem seja suposto fazer

falta-me o ânimo de sentir e pensar

mais não sei (afinal) o que dizer


Rio de Janeiro, 3 de maio de 2024.